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Paranaense preso por tráfico na Tailândia não conhecia mineira, diz defesa

Jordi Vilsinski Beffa, 23, é natural de Apucarana (PR) - Reprodução/Facebook
Jordi Vilsinski Beffa, 23, é natural de Apucarana (PR) Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

23/02/2022 19h43Atualizada em 24/02/2022 07h32

O paranaense Jordi Vilsinski Beffa, 23, um dos três brasileiros presos na última segunda-feira (14), na Tailândia, não conhecia a mineira Mary Hellen Coelho Silva, 22, e viajou escondido da família, segundo seu advogado. Ele e Mary Hellen Coelho Silva, 22, além de um terceiro brasileiro foram detidos no mesmo dia com cocaína escondidos em malas, no aeroporto de Bangcoc. Beffa completa 24 anos amanhã, numa prisão tailandesa.

Segundo o advogado de Beffa, Petrônio Cardoso, a família a suspeita é que o rapaz tenha sido cooptado pelo tráfico internacional de drogas para servir como "mula".

"A família não tinha a menor ideia. Jordi saiu no início da noite para então ir para uma suposta viagem com os amigos para Balneário Camboriú (SC). Ele saiu da casa, se despediu da mãe, entrou em um carro e foi. Não se sabe quem eram esses amigos ou quem era o motorista e nem por qual aeroporto ele embarcou para a Tailândia", contou ao UOL o advogado da família.

Jordi é natural de Apucarana (PR). A mãe, de 64 anos, é aposentada e o pai, de 65, trabalha há mais de 20 anos como porteiro de um prédio na cidade. O jovem trabalhava como operador de máquinas em uma empresa que fabricava máscaras anti-covid.

"Eles são uma família simples, que moram em um Conjunto Habitacional (Cohapar). Não são de ostentar. Ele não tem moto, não tem relógios de marcas famosas. A mãe se aposentou recentemente para cuidar da avó, que infelizmente faleceu ano passado, com Alzheimer. Ele não tem nenhum histórico de detenção policial", descreveu Cardoso.

Segundo o advogado, Jordi havia avisado para a família que passaria as férias na praia catarinense. No entanto, dois dias depois, um amigo tocou a porta da casa da família dele e avisou que ele estava preso na Tailândia. "Entre a detenção dele e a prisão, ele tem um tempo que poderia ficar com o celular e mandou essa mensagem para o amigo para avisar os pais. Agora, ele está em isolamento, por causa da covid-19, e ficará incomunicável até o dia 7 de março", relata o defensor. Ele afirma ainda que o rapaz chegou a Bangoc quatro horas depois da mineira, mas que ainda não sabe de qual aeroporto ele teria deixado o Brasil.

Ele não tinha nenhum tipo de relação, nem pessoal, nem por meios virtuais. Nós fizemos um rastreamento nas redes sociais dele, as anotações que tem dele, não existe a pessoa da Mary Hellen. Ninguém, nem os amigos, conhecem essa moça. O Jordi nunca foi ao estado de Minas Gerais. Considerando os horários dos voos e o tamanho dos terminais, acreditamos que ele não tenha partido de Curitiba, como Mary Hellen.
Petrônio Cardoso, advogado

O fator "mula" e possível pena

Jordi chegou ao aeroporto de Bangcoc poucas horas depois da dupla de brasileiros flagrados com cocaína no mesmo dia — até então com 9 kg de droga apreendida. O paranaense estava com os entorpecentes em duas malas e um total de 6,5 kg da substância. Isolado por causa das restrições da covid-19, ele só poderá falar com a família a partir do dia 7 de março — mesma condição imposta aos outros dois brasileiros detidos no dia.

"A gente pede hoje uma informação e vai receber só um dia e meio depois por conta da distância, do fuso horário, da língua, da diferença de legislação... Isso tudo cria uma grande angústia para todas as partes envolvidas", relata o advogado da família.

Segundo Cardoso, a Tailândia classifica as drogas ilegais em grupos e cada um possui penalidades diferentes. No primeiro estão as consideradas mais "perigosas", como a metanfetamina e heroína. A cocaína está no segundo grupo, em que as penas já são mais brandas em relação ao primeiro. Segundo Cardoso, a condenação pode ser de 3 a 20 anos de prisão para esta categoria. O posicionamento vai ao encontro da defesa da mineira Mary Hellen, de Pouso Alegre (MG), que diz não acreditar que o caso possa render pena de morte no país.

"Estamos trabalhando com advogados na Tailândia para provar que não é a droga mais apenada, que a quantidade para tráfico não é tão grande e que o perfil de Jordi leva a crer que ele não era traficante, que ele realmente trabalhou como uma mula."

O advogado diz que, após o rapaz ser sentenciado na Tailândia, a equipe deve começar a trabalhar com a repatriação para que ele possa cumprir pena no Brasil.

O UOL entrou em contato com o Itamaraty sobre o caso de Jordi, mas ainda não obteve resposta.

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