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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Rússia promete cessar-fogo em dia com ataque aéreo e 13 mortos

Do UOL*, em São Paulo e no Rio

07/03/2022 05h13Atualizada em 07/03/2022 13h57

Em meio a novas promessas da Rússia de cessar-fogo hoje (7), um ataque aéreo deixou ao menos 13 civis mortos na cidade de Makariv, na região de Kiev, de acordo com o Serviço de Emergência da Ucrânia. Antes do ataque, os russos também prometeram que abririam corredores humanitários em algumas cidades ucranianas.

O Ministério da Administração Interna da Ucrânia afirma que ao menos 30 pessoas estavam no terreno atacado em Makariv, uma fábrica de pães fora de operação. Cinco pessoas foram retiradas com vida após o ataque aéreo e não há atualizações sobre outros sobreviventes ou mortos.

O governo ucraniano temia que a promessa de cessar-fogo fosse uma estratégia para concentrar forças e fazer uma nova onda de ataques. A Ucrânia diz esperar uma batalha por Kiev nos próximos dias. O prefeito de uma cidade próxima à capital foi morto enquanto distribuía ajuda humanitária.

Esta segunda-feira é o 12º dia da invasão da Rússia ao território ucraniano. Para hoje, é esperada a terceira rodada de conversas entre as delegações russa e ucraniana em busca de entendimento. A reunião estava marcada para começar às 11h, horário de Brasília, segundo o conselheiro presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak. Ainda não havia notícias do final da reunião até as 13h20.

Nas negociações, a Rússia exige que a Ucrânia pare com suas atividades militares, altere sua Constituição para consagrar a neutralidade, reconheça a Crimeia como território russo e que classifique as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.

Cessar-fogo

O Ministério da Defesa russo disse que suas forças iniciaram um cessar-fogo a partir das 10h de Moscou (4h de Brasília) hoje para permitir a evacuação de civis para Belarus ou Rússia. Moscou disse que abrirá corredores humanitários nas cidades de Kiev, Kharkiv, Mariupol e Sumy. Para a Ucrânia, a proposta russa é inaceitável, dizendo que os ucranianos devem poder permanecer no país, deixando as áreas de maior risco.

Autoridades de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, emitiram hoje um comunicado dizendo que "nenhuma licença foi emitida para criar um corredor humanitário na região". "Assim que for tomada a decisão de abrir os corredores humanitários, informaremos a população sobre isso." A Rússa, por sua vez, diz que a Ucrânia está impedindo a retirada de civis de áreas de combate.

A proposta de cessar-fogo atende a um pedido do presidente francês, Emmanuel Macron, que conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, no domingo (6), segundo o ministério.

A criação dos corredores humanitários para retirar moradores e permitir a entrada de medicamentos e comida em cidades cercadas havia sido combinada em uma reunião entre representantes ucranianos e russos na quinta-feira (3), em Belarus. O plano, porém, não funcionou no sábado e no domingo. Autoridades ucranianas afirmaram que os russos desrespeitaram o cessar-fogo temporário, enquanto o Kremlin culpou Kiev pelo fracasso da operação.

evacuação - Serviço de Emergências da Ucrânia - Serviço de Emergências da Ucrânia
População recebe ajuda para evacuação na cidade de Irpin, na região de Kiev, capital do país
Imagem: Serviço de Emergências da Ucrânia

Em Irpin, na região de Kiev, as pessoas são forçadas a atravessar o rio sob uma ponte que desmoronou após os ataques. Em duas horas, até duas mil pessoas deixaram a cidade, segundo a imprensa local.

Localizada a cerca de 300 quilômetros ao sul da capital, Pervomaisk também viu o movimento de saída da cidade, que teve o auxílio de membros da força policial ucraniana.

pervomaisk - Polícia Nacional da Ucrânia - Polícia Nacional da Ucrânia
7.mar.2022 - Policiais auxiliam ucranianos em Pervomaisk, a cerca de 300 quilômetros ao sul de Kiev, que desejam ir para áreas mais seguras
Imagem: Polícia Nacional da Ucrânia

Temor por Kiev

As forças armadas da Ucrânia afirmaram em um comunicado nesta segunda-feira que os militares russos estavam se preparando para invadir Kiev. Segundo o comunicado, os militares russos primeiro tentariam assumir total controle das cidades Irpin e Bucha, que ficam próximas de Kiev.

As forças do Kremlin estavam "tentando obter uma vantagem tática alcançando a periferia leste de Kiev, por meio dos distritos Brovarsky e Boryspil", segundo o boletim ucraniano.

Vadym Denysenko, assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, afirmou que "uma grande quantidade de equipamentos militares e soldados russos estão concentrados na proximidade de Kiev", citado pelo jornal Ukrayinska Pravda. "Avaliamos que a batalha por Kiev será uma batalha-chave que será lutada nos próximos dias", disse.

Em publicação nas redes sociais, "Valery Zaluzhny, comandante das Forças Armadas da Ucrânia, disse que "o inimigo está desmoralizado e exausto". "A base da nossa resistência é principalmente a coragem e o artesanato do soldado ucraniano, que, apesar de um número significativo de vantagem do inimigo, abnegadamente trava o ataque.

veículos - Serviço de Emergências da Ucrânia - Serviço de Emergências da Ucrânia
Veículos ajudam na evacuação na cidade de Irpin, que fica na região de Kiev, a capital da Ucrânia
Imagem: Serviço de Emergências da Ucrânia

O ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Reznikov, disse que a intensidade das hostilidades diminuiu temporariamente "devido às enormes perdas sofridas pelo inimigo". "No entanto, os ocupantes russos estão tentando concentrar forças e recursos para uma nova onda de ataques", completou, citando Kiev e Kharkiv, como alvos em potencial para os russos.

"A capital está se preparando para a defesa. Peço a todos que mantenham a compostura. Esteja em casa, ou —ao soar o alarme— em abrigos", disse hoje o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko. "Kiev vai ficar de pé! Vai se defender!"

A partir de hoje, a capital terá o funcionamento das fontes musicais na Praça da Independência. "Todos os dias, elas irão tocar o hino da Ucrânia", diz a prefeitura de Kiev em comunicado.

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Bombardeio

O serviço de emergências da Ucrânia registrou, na manhã de hoje, um bombardeio em Mykolaiv, a cerca de 480 quilômetros ao sul de Kiev, nas proximidades de Kherson e Odessa. Uma área residencial foi atingida. Não foi informado até o momento se houve feridos no ataque, que aconteceu antes do horário previsto para o cessar-fogo.

residencial - Reprodução/Serviço de Emergências da Ucrânia - Reprodução/Serviço de Emergências da Ucrânia
Área residencial em Mykolaiv, no sul da Ucrânia, foi atingida por bombardeio
Imagem: Reprodução/Serviço de Emergências da Ucrânia

Prefeito morto

Nesta segunda, a administração de Hostomel, a cerca de 30 quilômetros de Kiev, informou que o prefeito da cidade, Yuriy Ilyich Prylypko, foi morto enquanto distribuía ajuda humanitária. Segundo o comunicado, ele e outras duas pessoas foram baleadas por russos.

"Morreu pela comunidade, morreu por Hostomel, morreu como herói. Lembrança eterna e nossa gratidão", diz o comunicado da prefeitura, divulgado nas redes sociais. "Dada a situação, não é possível convidar para o funeral, basta lembrar e orar."

Prefeito de Kiev, Klitschko lamentou a morte do colega."Ele estava com a comunidade até seu último suspiro. Ele cuidava das pessoas."

hostomel - Reprodução/Facebook/hostomelrada.gov.ua - Reprodução/Facebook/hostomelrada.gov.ua
Prefeito de Hostomel, Yuri Illich Prylypko foi morto baleado enquanto distribuía ajuda humanitária
Imagem: Reprodução/Facebook/hostomelrada.gov.ua

China quer ajudar

A amizade entre China e Rússia permanece forte, apesar da condenação internacional da invasão russa da Ucrânia, afirmou o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, nesta segunda-feira (7), antes de destacar que seu país está disposto a participar em uma "mediação" de paz. "A amizade entre os dois povos é sólida como uma rocha e os projetos de cooperação entre as partes são imensos", disse Wang.

O ministro acrescentou que a China enviará ajuda humanitária à Ucrânia e que o país está disposto, "se for necessário", a "trabalhar com a comunidade internacional em uma mediação" para acabar com a guerra.

"China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas], são (...) sócios estratégicos muito importantes um para o outro", respondeu ao ser questionado sobre a posição de Pequim a respeito das sanções internacionais contra Moscou. Wang considerou ainda que os dois países "contribuem" para a paz e estabilidade do mundo.

Turquia mediará encontro

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, anunciou que se reunirá na quinta-feira (10) com os colegas da Rússia e Ucrânia, Serguei Lavrov e Dmytro Kuleba, respectivamente, em um encontro trilateral em Antalya, no sul da Turquia.

"Seguindo a iniciativa de nosso presidente e nossos intensos esforços diplomáticos, os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Ucrânia decidiram se reunir com a minha participação" no âmbito do Fórum Diplomático de Antalya, explicou Cavusoglu no Twitter. A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, confirmou o encontro na rede de mensagens Telegram.

Hoje, mais cedo, os russos boicotaram uma audiência na Corte Internacional de Justiça.

Homens tentam deixar a Ucrânia

O governo da Ucrânia relatou casos de homens que, escondidos em carros ou trens, tentaram deixar o país. Alguns fingiram ser estrangeiros.

Na fronteira com a Hungria, guardas encontraram um homem no porta-malas do carro, que era dirigido pela esposa. Em Chernivtsi, perto da Romênia, um jovem, de cerca de 25 anos, foi encontrado escondido em um automóvel. Ele foi preso por tentar subornar os guardas. Na fronteira com a Polônia, também foram registradas três tentativas de suborno para deixar a Ucrânia. Desde o início do conflito, homens com idade entre 18 e 60 anos estão proibidos de deixar a Ucrânia.

Mais de 1,5 milhão de pessoas deixaram o território ucraniano desde o início do conflito. Desse total, dois terços —cerca de 1 milhão— foram para a Polônia.

*(Com Reuters, AFP e DW)