PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Ardem até os ossos: o que são as bombas ilegais de fósforo branco?

23.mar.2018 - Indícios de uso de bomba de fósforo branco são flagrados no céus de Douma, na Síria - HAMZA AL-AJWEH/AFP
23.mar.2018 - Indícios de uso de bomba de fósforo branco são flagrados no céus de Douma, na Síria Imagem: HAMZA AL-AJWEH/AFP

Do UOL, em São Paulo

18/05/2022 17h33Atualizada em 19/05/2022 09h25

A Ucrânia denunciou nesta quarta-feira (18) que as tropas russas bombardearam uma escola em Avdiivka, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, com munições de fósforo branco. Não houve vítimas, porque o ataque aconteceu à noite.

No entanto, o uso do componente químico contra pessoas está proibido desde 1997 pela Convenção de Genebra —só podem atingir alvos militares.

As bombas de fósforo produzem chamas que não podem ser apagadas com água, e seus componentes aderem à pele das vítimas, que podem arder até os ossos.

Elas deixam um rastro branco no céu que poderia ser identificado.

Esta não é a primeira vez que autoridades ucranianas acusam russos de utilizar fósforo branco para atacar cidades, mas a Rússia sempre nega que tenha violou qualquer convenção internacional.

Não são armas químicas

As bombas de fósforo branco não são armas químicas, cujo uso está proibido pela Convenção sobre Armas Químicas (1997), mas armas incendiárias, cujo uso segue o Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, assinado tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia.

"Está proibido, sob qualquer circunstância, atacar com armas incendiárias a população civil como tal, pessoas civis, ou bens de caráter civil", diz o protocolo. Isso não vale para o fósforo branco usado como sinalizador.

O fósforo pode ser usado como cortina de fumaça para esconder os movimentos das tropas, iluminar o campo de batalha, ou incendiar infraestruturas. Mas pode causar queimaduras muito graves em civis.

Uso proibido, mas recorrente

As bombas incendiárias começaram a ser usadas em massa durante a Primeira Guerra Mundial, em paralelo ao surgimento da aviação militar. Em 31 de maio de 1915, pela primeira vez, um dirigível alemão Zeppelin lançou um ataque aéreo com bombas incendiárias em Londres.

Na Segunda Guerra, obuses de fósforo branco foram usados extensivamente pelo Exército dos EUA contra as tropas blindadas alemãs.

Na Guerra do Vietnã, as bombas incendiárias de napalm, à base de combustível gelatinoso, foram usadas pelos Estados Unidos.

Na Guerra da Indochina (1946-1954), a França também recorreu a elas.

Em 2004, os militares americanos foram acusados de usarem bombas de fósforo branco em Fallujah apesar da presença de civis na cidade iraquiana considerada base de retaguarda para grupos terroristas.

Em 2009, Israel também foi acusado de usar a munição contra palestinos em Gaza.

Em 2014, a Rússia acusou a Ucrânia de usar munições de fósforo durante a guerra do Donbass, no leste do país.

Em 2018, o Exército russo foi acusado de lançar bombas incendiárias na Síria.

Em 2020, Armênia e Azerbaijão também se acusam mutuamente de terem bombardeado áreas civis durante os combates na disputada região de Nagorno Karabakh. (Com agências internacionais)

Internacional