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Cientistas vinculam origens da covid-19 a cães-guaxinim no mercado de Wuhan

Os cães-guaxinim (Nyctereutes procyonoides) são muito procurados na China para comércio das peles - Reprodução/Wikimedia Commons/@663highland
Os cães-guaxinim (Nyctereutes procyonoides) são muito procurados na China para comércio das peles Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/@663highland

Colaboração para o UOL

17/03/2023 17h18

Uma equipe internacional de especialistas em vírus diz ter encontrado dados genéticos de um mercado em Wuhan, na China, ligando o coronavírus a cães-guaxinins à venda no local.

O que se sabe:

  • A descoberta acrescenta evidências à teoria de que a pandemia poderia ter sido iniciada por um animal infectado, negociado através do comércio ilegal de animais silvestres.
  • Os dados genéticos foram extraídos de cotonetes colhidos dentro e ao redor do Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, a partir de janeiro de 2020.
  • O mercado foi fechado à época, e os animais retirados por suspeita de ter sido o epicentro da epidemia.
  • Os pesquisadores colheram amostras em paredes, pisos, gaiolas de metal e carrinhos frequentemente usados para transportar gaiolas de animais.
  • Em amostras que deram positivo para o coronavírus, a equipe encontrou material genético pertencente a animais, incluindo grandes quantidades que eram compatíveis com o cão-guaxinim.

Segundo os cientistas, a mistura de material genético do vírus e do animal não prova que um cão-guaxinim em si foi infectado. E, mesmo que um cão-guaxinim tivesse sido infectado, não ficaria claro se o animal havia espalhado o vírus para as pessoas.

Outro animal pode ter passado o vírus para as pessoas, ou alguém infectado pode ter espalhado o vírus para um cão-guaxinim. A descoberta foi publicada originalmente na revista The Atlantic.

O que se descobriu:

  • O estudo realizado por Kristian Andersen, Edward Holmes e Michael Worobey aponta que as amostras identificadas na região do mercado continham material genético animal, incluindo conteúdo compatível com o do cão-guaxinim.
  • A análise estabeleceu que os cães-guaxinim depositaram assinaturas genéticas no mesmo local onde o material genético do vírus foi deixado.
  • Essa evidência, segundo os pesquisadores, era consistente com um cenário em que o vírus poderia ter se espalhado para humanos a partir de um animal selvagem.
  • Como os vírus não permanecem isoladamente no ambiente, os cientistas apontaram a hipótese de que cães-guaxinins poderiam ter sido infectados pelo coronavírus na área do mercado.
  • Porém, a identificação do material genético do vírus e do mamífero, intimamente misturados, são apenas um indício da participação animal no contexto epidemiológico do surgimento da pandemia.
  • Para os especialistas, a origem da pandemia pode ter sido natural, e não causada por um vazamento de laboratório, quando o coronavírus teria se adaptado, passando dos animais para humanos.