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Dez países e sociedade civil ajudarão o Brasil a negociar acordo na Rio+20

Maria Denise Galvani

Do UOL, no Rio

15/06/2012 13h04Atualizada em 15/06/2012 15h12

Representantes de delegações de ao menos dez países devem ajudar o Brasil a coordenar as negociações do comitê preparatório para Cúpula de Chefes de Estado da Rio+20. O encontro deveria se encerrar nesta sexta-feira (15) com um rascunho da declaração final praticamente fechado, mas ainda há muitos pontos em debate e as negociações vão continuar informalmente.

Os principais pontos de divergência são a definição de economia verde e a criação de um fundo de US$ 30 bilhões para financiar ações sustentáveis nos países em desenvolvimento.

O porta-voz das negociações do Comitê de Preparação da Rio+20, Nikhil Seth, confirmou que a delegação do Brasil, como anfitriã da Conferência, assume a coordenação dos debates  entre as delegações de Estado a partir do sábado (15). “A meta de todos agora é estar com todo ou pelo menos quase todo o texto fechado até o dia 19, antes da chegada dos chefes de Estado”, disse Seth.

Seth rechaçou a hipótese de que os temas-chave em discussão e estão sem consenso serem definidos apenas em 2013.

Segundo ele, foram destacados diplomatas de outras delegações para ajudar o Brasil na tarefa de coordenação das negociações. Os facilitadores vêm do Canadá, Argélia, Maláui, México, Austrália, Barbados, Guatemala, Japão, Polônia e Estados Unidos. “Quando assumem a função de facilitadores, os diplomatas perdem suas identidades nacionais e viram agentes neutros, dispostos a fazer as partes concordarem”, afirmou Seth.

Os facilitadores seriam pessoas com um conhecimento profundo das questões técnicas e das nuances em discussão, disse Seth à imprensa.
A ação dos facilitadores pode ser uma estratégia do Brasil para dividir a responsabilidade da coordenação. Na quinta-feira (14) o chefe do comitê brasileiro para a Rio+20, Luiz Alberto Figueiredo Machado, havia afirmado que o prolongamento dos debates poderia ser ruim para os interesses brasileiros, já que a delegação precisaria abrir mão de posições mais radicais para priorizar um entendimento rápido entre os países. O resultado final neste caso, ele afirmou, poderia ser uma declaração mais fraca.

Clima certo, timing errado

Seth afirmou que há um grupo de “otimismo cauteloso” nos grupos em discussão, mas que a disposição de todos é concordar em um texto até o dia 19. “Acho que há exemplos históricos de excelentes decisões tomadas no último momento. Na própria Rio92, a Agenda 21 e o texto final dos princípios foi votada pelos chefes de Estado, na última hora".

Ele também diz, no entanto, que as negociações estão atrasadas. “Se você me perguntasse quando seria o último momento para se chegar a um acordo, eu diria que era em Nova York, há duas semanas (no último encontro do comitê preparatório antes da Rio+20)”, afirmou.

Ainda nesta sexta (15), até às 19h, o Brasil deve detalhar seu plano de coordenação para as negociações. “Ainda não se sabe o que muda e o que permanece igual na dinâmica dos grupos de discussão, mas me parece que a prioridade da presidência do Brasil será o elemento da transparência, com a participação dos facilitadores e dos representantes da sociedade civil na reunião”, disse Seth.

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