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UE se compromete a reduzir em 40% suas emissões de gases do efeito estufa

Reuters/Arnd Wiegmann
Imagem: Reuters/Arnd Wiegmann

2015-03-06T15:35:00

06/03/2015 15h35

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (6) a sua contribuição para a Conferência de Paris sobre o Clima, com o compromisso de reduzir em pelo menos 40% suas emissões de gases do efeito estufa até 2030.

"Concluímos um acordo, mas não foi uma tarefa fácil", declarou o comissário europeu para o Clima, Miguel Arias Canete, após uma reunião com os ministros do Meio Ambiente da UE em Bruxelas.

"A Europa é o primeiro continente a apresentar a sua contribuição, como foi solicitado pelas Nações Unidas", comemorou a ministra francesa, Ségolène Royal.

A oferta da UE, que é responsável por 9% das emissões globais de gases do efeito estufa, foi enviada para o secretariado das Nações Unidas, segundo Cañete.

Os ministros concordaram com "todas as ações concretas de todos os setores econômicos envolvidos neste esforço", declarou Royal. A lista detalha os gases do efeito estufa tidos em conta, enuncia os setores industriais e inclui a agricultura e resíduos. "Não era nada evidente", ressaltou a ministra francesa.

A Irlanda batalhou para incluir as emissões das terras e florestas na oferta da UE, uma disposição que tem sido criticada pelos ambientalistas.

"As emissões do LULUCF (uso das terras e florestas) não devem ser sujeitas as metas de redução dos países, porque isso significaria diminuir em 4% as metas já baixas de redução", criticou o eurodeputado francês Yannick Jadot.

"Um passo muito importante foi dado hoje na estrada para a cúpula do Clima de Paris", estimou Royal. "A Europa assumiu as suas responsabilidades. Ela pode liderar o mundo", disse ela.

Os governos comprometidos nas negociações internacionais determinaram em 2009 a meta de limitar a elevação da temperatura mundial a 2º C até o final do século com relação aos níveis anteriores à revolução industrial.

Os países "que podem fazê-lo" devem anunciar seu compromisso antes de 31 de março. O acordo buscado pela conferência de Paris, prevista para dezembro, "não poder ser apenas um desconto", insistiu Royal.

Os Estados Unidos, que respondem por 12% das emissões globais, anunciaram planos de cortar suas emissões de 26% a 28% até 2025, em comparação com os níveis de 2005. A China, responsável por 25% das emissões, promete estabilizar suas emissões até 2030.

Nenhum dos três principais emissores adota a mesma data de referência, o que é problemático para comparar esforços, diz a Comissão Europeia.

"Eu gostaria que houvesse nenhum processo de intenção contra qualquer país. Os Estados Unidos fizeram declarações sobre a sua ambição de acordo com a sua responsabilidade no aquecimento global. Vamos esperar pelas contribuições escritas, para ver se são suficientemente específicas, credíveis o suficiente para atingir as metas", insistiu Ségolène Royal.

"A primeira contribuição escrita, e a única, por enquanto, é a da União Europeia. Esperamos que ela seja imitada", acrescentou ela.

A base do compromisso da UE consiste no pacote climático-energético adotado em 2008, com o compromisso vinculativo da UE para 2020 de reduzir as suas emissões em 20% em relação aos níveis de 1990. Este objetivo está perto de ser alcançado.

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