Curitiba é metrópole com vida mais sustentável do Brasil; veja ranking

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    Paisagem urbana de Curitiba (PR), a primeira colocada em ranking de desenvolvimento sustentável das regiões metropolitanas brasileiras

    Paisagem urbana de Curitiba (PR), a primeira colocada em ranking de desenvolvimento sustentável das regiões metropolitanas brasileiras

Prover acesso à habitação, água, saneamento básico e eletricidade à maioria da população é o que garante à Curitiba a liderança em um ranking de sustentabilidade das regiões metropolitanas brasileiras. De acordo com um estudo publicado na revista Pnas, o fornecimento dessas estruturas urbanas permite avaliar o quão próximo as cidades estão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das nações Unidas) - que aliam justiça social à preservação ambiental.

O grupo responsável pelo estudo, que reúne pesquisadores do Santa Fé Institute e da Universidade do Arizona, nos EUA, criou um índice de desenvolvimento sustentável que congrega indicadores de acesso a serviços e infraestrutura urbana.

Com ele, analisou as 38 regiões metropolitanas brasileiras, além de 207 municípios da África do Sul.

"Quanto mais próximo de 1, mais perto a região está da realização plena dos objetivos no nível metropolitano", explica Luis Bettencourt, pesquisador de sistemas complexos que liderou o estudo. 

No ranking brasileiro, a região metropolitana de Curitiba aparece com o índice desenvolvimento sustentável de 0,9597. Atrás de Curitiba, mas com índices bem próximos, aparecem a região metropolitana da Foz do Rio Itajaí, em Santa Catarina (0,9591), de Campinas (0,9507), São Paulo (0,9498) e Belo Horizonte (0,9474), todas localizadas na região Sudeste.

Salvador (0,9415), a sexta colocada, é a melhor posicionada da região Nordeste.

as seis regiões metropolitanas que aparecem na lanterna do ranking são todas das regiões Norte e Nordeste do país. Possui o pior índice de desenvolvimento sustentável a região metropolitana do Agreste, em Alagoas, com a marca de 0,4810. Antes dela, aparecem as regiões metropolitanas de Macapá, no Amapá (0,5208), Maceió, também em Alagoas (0,6293), do Sudoeste Maranhense (0,6775), de Belém, no Pará (0,6838), e do Cariri, no Ceará (0,7118).

Divulgação
Vista aérea de Arapiraca (AL), principal cidade da Região Metropolitana do Agreste, a última colocada em ranking de desenvolvimento sustentável

O que isso significa?

O índice mede a fração da população com acesso a água tratada, saneamento básico, eletricidade e moradia. Esses indicadores estão entre os dados que compõem os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável adotados por 193 países e que devem ser alcançados até 2030.

O estudo utilizou dados do Censo de 2010, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para criar o índice. Por ser composto por diferentes indicadores e por se caracterizar como uma medida comparativa, o índice assemelha-se a outros existentes para mensurar graus de desenvolvimento, como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No caso do IDH, a estatística é composta por dados de expectativa de vida ao nascer, educação e renda per capita.

Índice das cidades mascara desigualdades internas

No estudo, os pesquisadores associam a urbanização à melhoria dos indicadores de desenvolvimento sustentável, como acesso à saúde, educação e serviços básicos. Contudo, a expansão das cidades ocorre gerando grandes desigualdades internas, principalmente em cidades com baixos níveis de renda, como são as cidades brasileiras.

O ponto do artigo é também mostrar que embora muitas dessas grandes cidades realmente se saiam muito bem nas quatro dimensões de desenvolvimento sustentável que medimos (acesso à habitação, água, saneamento, eletricidade), há grandes variações entre bairros dentro delas"

Tuca Vieira/Folhapress
Divisa entre prédio de luxo e a favela de Paraisópolis, em São Paulo; cidades possuem desigualdades internas de desenvolvimento sustentável

Por esse motivo, o índice de desenvolvimento sustentável desenvolvido pelos pesquisadores possibilita quantificar o nível de desenvolvimento sustentável em diferentes escalas espaciais. 

Por esse motivo, em uma cidade bem posicionada, como São Paulo (4ª posição), o índice mascara a existência de regiões no interior da cidade com baixíssimos graus de desenvolvimento sustentável - como áreas da periferia com pouco acesso a serviços e favelas sem infraestrutura urbana.

Para os autores, é necessário compreender os processos que conduzem a tais desigualdades para que o desenvolvimento sustentável possa ser alcançado de forma mais equitativa.

"Além disso, há outras dimensões do desenvolvimento sustentável que precisam ser medidas no futuro para uma avaliação mais completa. O artigo mostra como isso pode ser feito sistematicamente em qualquer cidade e em diferentes escalas", diz o pesquisador.

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