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Bolsonaro diz que desmatamento no Brasil "é cultural": "Não vai acabar"

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles - Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

20/11/2019 09h26

Resumo da notícia

  • Bolsonaro foi questionado hoje sobre medidas para reduzir o desmatamento, mas afirmou que ele "é cultural"
  • "Você não vai acabar com o desmatamento, nem com queimadas, é cultural", disse o presidente
  • O Inpe informou na 2ª que o desmatamento na Amazônia é maior em um intervalo de 10 anos
  • Bolsonaro citou que quer "titularizar" as terras, identificando melhor os proprietários para responsabilizá-los

Jair Bolsonaro falou hoje sobre os dados de desmatamento no Brasil no último ano, que apontaram o maior número para o período em um intervalo de 10 anos. Para o presidente da República, os desmatamentos não vão acabar, pois eles são algo "cultural" no país.

Questionado se conversou com Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, sobre medidas para reduzirem o desmate, afirmou: "Olha, você não vai acabar com o desmatamento, nem com queimadas, é cultural". Ele falou a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, na manhã de hoje.

"Eu vi a Marina Silva criticando, anteontem, mas no período dela teve a maior quantidade de ilícitos na região amazônica", adicionou o presidente.

O Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), desde 1998 usa imagens de satélite para monitorar o desmatamento na Amazônia. Embora 2003, primeiro ano da gestão de Marina Silva à frente da pasta, tenha registrado o recorde de área desmatada no bioma (27.772 km²), a área desflorestada foi progressivamente reduzida. Ao fim de 2008, ano em que Marina deixou o cargo, a área desmatada havia caído para 7.464 km² —uma redução de 73,1% em relação a 2003.

Ontem, Marina Silva usou seu perfil no Twitter para desmentir as declarações que vem sendo feitas por membros do governo em relação à conservação da Amazônia durante seu período como ministra. Segundo ela, o presidente "não tem compromisso com a verdade e nem com a Amazônia".

Bolsonaro citou que quer "titularizar" as terras, identificando melhor os proprietários para responsabilizá-los pelos desmatamentos. "Havendo ilícito, sabemos quem está no comando da terra. Hoje não se sabe". Atualmente, o Brasil tem um cadastro ambiental rural, que indica os donos de cada propriedade rural brasileira, o que com auxílio de imagens de satélite poderia apontar diretamente nos responsáveis por queimadas.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou na segunda-feira que o desmatamento anual na Amazônia medido entre 1º de agosto de 2018 a 31 de julho de 2019 é o maior para o período em um intervalo de 10 anos. O monitoramento anual do desmatamento na Amazônia Legal é o feito pelo Prodes e apontou 9.762 km² de área atingida. O número representa uma alta de 29,5% em relação ao registrado no ano passado. Entre 2017-2018, o desmatamento foi de 7.536 km².

Ainda na segunda, o ministro Ricardo Salles disse que o governo estava atento e afirmou, sem dar detalhes, que medidas serão debatidas e anunciadas hoje, em Brasília.

O dólar

Bolsonaro também foi questionado sobre a alta do dólar, que bateu em R$ 4,20. "Gostaria do dólar abaixo de 4, mas não são só questões internas, é o que acontece nos Estados Unidos, na China. O mundo tá todo conectado e o que acontece lá fora tem reflexos aqui", afirmou o presidente.

O dólar atingiu recorde histórico nominal para um fechamento nesta semana após encerrar a segunda-feira acima de R$ 4,20, e analistas dizem que até o fim do ano qualquer ajuste de baixa tenderá a ser limitado.

Mesmo com a correção na véspera, o dólar segue muito próximo da marca psicológica de 4,20 reais, patamar que para alguns analistas pode perdurar, devido à carência de perspectiva de relevante fluxo de recursos ao país até o fim do ano, num período sazonalmente já marcado por saída de moeda.

Na saída da residência oficial da Presidência, Bolsonaro também voltou a comentar sobre projetos para incentivar o desenvolvimento da indústria de telecomunicações, bem como o leilão das frequências para telefonia móvel 5G vai acontecer no próximo ano.

"Nós fazemos comércio com o mundo todo. Tem mais empresas se habilitando também. O que for melhor para o Brasil, tecnicamente e financeiramente a gente embarca", afirmou.

GLO

Bolsonaro deve enviar ainda hoje um projeto ao Congresso Nacional sobre excludente de ilicitude a agentes que atuam em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O excludente alivia pena ou até isenta agentes que matam em serviço. Bolsonaro disse que a ideia é dar "meios ao policial poder agir".

O presidente afirmou que pode deixar de autorizar ações de GLO, caso o Legislativo não aprove o texto. "Exceto em casos que interessem particularmente ao governo, por exemplo a GLO do Brics", declarou. Uma ação deste tipo foi autorizada para garantir a segurança dos líderes de países emergentes, que participaram da 11ª reunião da cúpula do grupo na última semana, em Brasília.

Bolsonaro disse que não é justo submeter um agente a um julgamento por uma ação tomada após um "imprevisto". "Tem um major (ajudante de ordens) aqui do meu lado. Se ele estivesse no Rio de Janeiro, poderia estar numa GLO. Há um imprevisto. É justo submetê-lo a uma auditoria militar... 12 a 30 anos de cadeia. É justo? Ele ou um recruta, soldado, com 20 anos de idade. É justo? Tem de ter um responsável. O responsável sou eu. Eu assumo minha responsabilidades."

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