Sucessão em SP: secretarias não podem mais concorrer entre si

Bruno Covas

Bruno Covas

Especial para o UOL

Em 1983, enquanto a sociedade lutava pela democracia e pelo fim da ditadura, o país mergulhava em um cenário caótico, com a economia impregnada por uma inflação galopante e por um elevado índice de desemprego. Em maio daquele ano, com o desafio de governar para e com o povo, meu avô Mario Covas tomou posse como prefeito da cidade de São Paulo.

Hoje, 33 anos depois, embora o povo já tenha conquistado o direito de escolher seus representantes por meio do voto direto e a nossa democracia esteja em pleno funcionamento, o cenário econômico está muito parecido com o mencionado acima. Causado por más práticas realizadas nas duas gestões petistas no governo federal, vivemos novamente um cenário preocupante, com a economia desgastada e com altos índices de desemprego.

E, assim como a sociedade foi às ruas na década de 1980 clamando pela democracia, hoje a população vai às ruas, principalmente, por boas práticas na gestão da administração pública e contra a corrupção.

Diante desse cenário, além de futuro vice-prefeito de São Paulo, fui designado pelo prefeito eleito a assumir um papel de extrema importância para a maior cidade do país, o de secretário das prefeituras regionais de São Paulo. E, para ter sucesso na empreitada, estou certo de que um dos pontos fundamentais é o estar sempre em contato com esse clamor das ruas. Devemos, a todo momento, ouvir a população, além de envolver a sociedade civil e os empresários na formulação e na execução de ações inovadoras.

A sociedade pede por contratos mais eficientes, pede pelo fim de burocratizações que gerem ineficiência. Em São Paulo, por exemplo, uma das principais medidas a serem tomadas é a de centralizar serviços que hoje são separados e que impossibilitam ações imediatas. As secretarias não podem concorrer entre si nos serviços prestados. Temos que coordenar e repassar atribuições de uma pasta para a outra, com o objetivo único de melhorar a qualidade dos serviços. Empresas não podem ser remuneradas sem uma fiscalização e uma avaliação da qualidade dos serviços prestados.

Os paulistanos que foram às ruas também clamam, sem dúvida alguma, por uma melhor qualidade de vida. Pensando nisso, vamos implementar um Poupatempo em cada prefeitura regional, juntando todas as ações que a prefeitura presta e assim facilitando o deslocamento, principalmente o daqueles que moram nas periferias.

Voltar a ter orgulho da cidade em que moramos também é de extrema importância para a nova gestão. Por isso, teremos tolerância zero com os pichadores, assim deixando a cidade mais agradável e bonita. Também faremos um árduo trabalho com a poda de árvores, com o recapeamento da cidade e contra as enchentes.

Enfim, são inúmeros desafios para a nossa zeladoria e, em todos eles, atuaremos por meio do diálogo, da dedicação ao trabalho voltado principalmente a quem mais precisa e, sem dúvida alguma e do intransigível apreço pela ética, pela transparência e pelas boas práticas na administração pública.

Ou seja, será com ininterrupta dedicação que faremos das prefeituras regionais a central de zeladoria que cuidará da cidade. Mantendo um permanente diálogo, cada prefeita e prefeito regional terá a responsabilidade de resgatar a autoestima e o envolvimento da população para que juntos possamos reconstruir a cidade que todos nós queremos, pois agora é chegada a hora de imprimirmos um novo capítulo na história de São Paulo.

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Bruno Covas

é vice-prefeito eleito da cidade de São Paulo e futuro secretário das prefeituras regionais

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