Processo de impeachment

Votação na Câmara tem exaltação à ditadura, ofensas e até cusparada

Do UOL, em São Paulo

  • Márcio Neves/UOL

    Câmara registrou apenas duas faltas no dia em que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff foi aprovado pela maioria dos deputados do plenário

    Câmara registrou apenas duas faltas no dia em que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff foi aprovado pela maioria dos deputados do plenário

A votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados, neste domingo (17), alternou momentos de euforia, extremismo, polêmicas e até humor involuntário. 

Além de declarar "sim" ou "não" à aceitação do impeachment, os parlamentares usaram seus segundos ao microfone para fazer todo tipo de dedicatórias. "Pela família, Deus, amigos, filhos, netos e eleitores" eram algumas das palavras mais ouvidas pelo lado dos que votaram a favor do impeachment. "Democracia, golpe e fraude" dominaram os discursos dos que defenderam a presidente.

Teve presidente de partido renunciando ao cargo para votar de forma contrária à orientação da legenda, exaltação a militar acusado de torturas na ditadura e até cusparada no plenário. No total, foram 511 votos, sendo 367 a favor, 137 contra, com sete abstenções e duas ausências. Agora, o processo se move para votação no Senado Federal.

Confira abaixo dez momentos que marcaram a votação na Câmara:

Dez momentos marcantes da votação na Câmara

O primeiro voto

O primeiro a votar no plenário da Câmara foi Washington Reis (PMDB-RJ). Apesar de a lista dos Estados começar com Roraima, o deputado fluminense passou à frente por motivo de saúde. "Voto sim!", bradou o parlamentar, aplaudido pelo grupo pró-impeachment.

Deputado gaúcho é o primeiro a se abster

"Nem Dilma, nem Temer, nem Cunha", disse o deputado gaúcho Pompeo de Mattos (PDT-RS), que afirmou ser contra a corrupção ao se abster. "Quero eleições limpas e honestas", declarou o parlamentar.

Sucinto, Maluf revela sua posição em seis segundos

Depois de dizer que Dilma "é uma mulher honesta, correta, uma Virgem Maria que foi contratada para ser cozinheira em um ambiente menos honesto", Paulo Maluf (PP-SP) usou seis segundos para declarar seu voto no "sim".

Tiririca é tietado e abraçado pelos deputados

Um dos deputados federais mais votados no Brasil em 2014, Tiririca (PR-SP) votou a favor do impeachment. "Pelo meu país, meu voto é sim", disse. Em seguida, foi abraçado e aplaudido pelos deputados. Em seu quinto ano na Câmara, foi a primeira vez que o parlamentar falou no plenário.

Bolsonaro exalta militar acusado de torturas na ditadura

Ao votar pró-impeachment, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) exaltou Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI na ditadura militar e acusado de comandar torturas. O deputado também parabenizou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por sua condução no processo. "Perderam em 64", disse, em alusão ao golpe militar. Bolsonaro chamou Ustra de "pavor de Dilma Rousseff".

Jean Wyllys chama apoiadores do impeachment de "canalhas"

"Estou constrangido de participar dessa farsa, eleição indireta conduzida por um ladrão, curtida por um traidor conspirador e apoiada por torturadores, covardes, analfabetos políticos e vendidos", disse o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) durante a votação na Câmara. Jean Wyllys disse "não ao golpe" e ainda chamou os apoiadores de "canalhas".

Confusão: Jean Wyllys cospe em direção a Bolsonaro

Após votar contra o impeachment, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) se envolveu em uma confusão com o Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e cuspiu na direção do parlamentar. Após ser questionado sobre atitude, Wyllys disse que foi ofendido e que faria de novo. "Cuspiria na cara dele quantas vezes eu quisesse", declarou.

Deputado do PSOL chama Cunha de "gângster"

Glauber Braga (PSOL-RJ) começou seu voto contra o impeachment atacando diretamente o presidente da Câmara. "Eduardo Cunha, você é um gângster, e o que dá sustentação a sua cadeira cheira a enxofre", declarou o deputado, que também citou nomes como Carlos Marighella, Luís Carlos Prestes, Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

Deputado tucano dá voto de decisivo ao processo

Um deputado do PSDB deu o voto decisivo para a continuação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Quanta honra o destino me reservou ao sair da minha voz o grito de esperança de milhões de brasileiros", disse Bruno Araújo (PSDB-PE), antes de proclamar seu voto a favor. Houve grande comemoração com a decisão tomada antes do final da votação.

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