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Dilma nega que pretende voltar com a CPMF, mas diz que irá negociar com governadores

Camila Campanerut<br> Do UOL Eleições

Em Brasília

03/11/2010 13h28

Ao sair da reunião com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, presidente eleita Dilma Rousseff (PT) disse nesta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto, que não pretende voltar com a CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira), que vigorou de 1997 a 2007 e foi criada com objetivo de encaminhar o recursos do tributo para a área da saúde.

“Não pretendo reenviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas isso será objeto de negociação com os governadores”, afirmou Dilma. “Eu tenho muita preocupação com a criação de impostos, preferia outros mecanismos. Eu tenho visto uma pressão dos governadores, não posso fingir que isso não existe”, ressaltou. 
 
A afirmação da sucessora de Lula minimizou o efeito da fala do presidente, que mostrou ressentimento com a oposição por ela ter votado no Congresso a derrubada da CPMF e, com isso, deixado de arrecadar cerca de R$ 40 bilhões por ano. 
 
“Eu queria pedir a compreensão [da oposição] que dentro do Congresso Nacional, a oposição não faça com Dilma a política que fez comigo, a política do estômago, a política da vingança do trabalhar para não dar certo (...)  Eu não esqueço nunca que, por conta disso, essas pessoas tiraram R$ 40 bilhões anuais. Que se for levar o mandato inteiro, dá mais de R$160 bilhões da saúde. E todo mundo sabe, qualquer prefeito, qualquer governador sabe, que é preciso ter dinheiro para a saúde”, disse Lula. 
 
Relação com Congresso e oposição 
Na área da saúde, Dilma Rousseff admite que é necessário que a discussão da emenda 29 (que define as contribuições na área da saúde da União, Estados e municípios) no Congresso seja encerrada, assim como o término da rede SUS (Sistema Único de Saúde) em todo o país. 
 
Além da saúde, Dilma Rousseff também anunciou que dará prioridade à segurança pública e que os dois temas dependem da negociação entre União, Estados e municípios. 
 
Com relação aos projetos do pré-sal que ainda estão parados na Câmara dos Deputados, a presidente eleita disse que não irá se antecipar sobre o futuro das propostas, uma vez que ainda há dois meses para negociação.

 “A questão do pré-sal está na pauta agora. Qualquer avaliação que eu faça eu estaria atravessando dois meses. Aguardemos ao que vai acontecer”, afirmou. Há um embate na Câmara, onde há 12 medidas provisórias trancando a pauta e não há previsão de acordo entre base governista e oposição, sendo que a prioridade é a votação do orçamento de 2011.

 
Sobre o contato com a oposição, a petista contou que recebeu um telefonema do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Ela elogiou o comportamento dele e disse que tentará manter com tanto com ele quanto com os demais governadores da oposição uma “negociação de alto nível” e que estará "atenta às necessidades" desses Estados 

Política