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Podem me grampear à vontade, diz Demóstenes Torres sobre relação com Carlinhos Cachoeira

Senador Demóstenes Torres falou de sua amizade com Carlinhos Cachoeira - Lula Marques/Folha imagem
Senador Demóstenes Torres falou de sua amizade com Carlinhos Cachoeira Imagem: Lula Marques/Folha imagem

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

06/03/2012 17h02

O senador Demóstenes Torres negou nesta terça-feira (6) qualquer envolvimento nas ações criminosas que envolvem o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Claro, no último dia 29 de fevereiro. O parlamentar confirmou a relação de amizade, mas que isso não pode incriminá-lo de nada e nem dirimir sua atuação no Senado.
 
“Tranquilizo vossas excelências, não sou investigado de nada, não sou acusado de nada, conforme provam os dados obtidos na Procuradoria Geral da República e no Supremo Tribunal Federal. Portanto, não estou aqui para me defender, porque até não existe do que, não há motivo”, afirmou o senador.

O líder do DEM no Senado foi ao plenário para explicar sobre o levantamento da Polícia Federal de que o bicheiro teria conversado com Torres por telefone por 298 vezes entre fevereiro e agosto de 2011, os dados foram vazados ao jornal "Correio Braziliense". "O [meu] contato pessoal, ainda que frequente, não significa participação em seus afazeres ocultos”, justifica Torres. “Nunca tive negócios com Carlos Cachoeira”, reiterou.

Carlinhos Cachoeira seria o suposto chefe do esquema. Ele também ganhou destaque nacional após a divulgação de vídeo, em 2004, em que o então assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz lhe cobrava propina.

“Tentam macular minha dignidade e da minha família, com o vazamento seletivo de diálogo, não tenho as cópias dos autos (...) Podem me  grampear à vontade, não vão encontrar nada, isso não vai me intimidar”, completou.

Torres pediu que fosse investigado e recebeu apoio de senadores do governo e da oposição pela iniciativa de explicar-se. Alvaro Dias (PSDB-PR), Pedro Simon (PMDB-RS), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Taques (PDT-MT), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Ignácio Arruda (PCdoB-CE) foram alguns de seus defensores na tribuna. O senador confirmou que recebeu do bicheiro presentes de casamento: uma geladeira e fogão, e que pela “boa educação”, ele não rejeitou e nem perguntou o valor.

No entanto, a amizade dele perturbou a posição do partido, que é um dos principais opositores ao governo Dilma Rousseff, e a posição do próprio parlamentar que é tido como um dos maiores “cobradores” de moralidade nas ações políticas, inclusive ele foi um dos defensores da aprovação da Lei da Ficha Limpa.

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