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Demóstenes nega ter recebido dinheiro da exploração de jogo de azar em Goiás

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

29/05/2012 10h53Atualizada em 29/05/2012 12h20

O senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM-GO) negou ter recebido 30% do valor ganho com a exploração de jogos de azar em Goiás em seu depoimento ao Conselho de Ética do Senado, nesta terça-feira (29), onde responde a um processo por quebra de decoro parlamentar.

"Jamais tive a participação em qualquer esquema de jogos ilegais", disse o senador ao negar as informações divulgadas pela revista “Carta Capital”, que na edição e 23 de março deste ano publicou relatórios da Polícia Federal que apontam o senador  como receptor de “30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino” operado pelo contraventor Carlos Cachoeira, em Goiás e na periferia de Brasília.

“Muita coisa que foi dita é desmentida pelos próprios autos”, resumiu o senador, antes de ler relatórios assinados por delegados das operações que investigavam Cachoeira. 

"Dizem que eu fiquei com 30% do dinheiro do jogo de Goiás. Eu queria dizer que todas as autoridades que atuaram nesse inquérito disseram textualmente que eu não tenho nada a ver com o jogo", afirmou o senador, que leu diversos trechos dos autos do processo e para sustentar sua negativa de participação nos lucros do jogo ilegal.

Demóstenes afirmou que muitas das ligações interceptadas pela PF não possuem relação com a exploração ilegal do jogo por Cachoeira e que o senador não era objeto das investigações.

"Todas as autoridades disseram que eu não tenho nada a ver com o jogo. Devo esta explicação a minha mulher, que suportou todos os momentos, aos meus filhos e aos senhores [se referindo aos senadores]", completou.

"Todas as autoridades disseram que eu não tenho nada a ver com o jogo"

Depois, lembrou que o próprio procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou no pedido de abertura de inquérito feito ao Supremo, que o senador não tinha ligação com jogos de azar. Além de Gurgel, a subprocuradora Claudia Sampaio também foi citada e retirou o senador de qualquer envolvimento com os esquemas de Cachoeira.

"Não entrou um milhão na minha conta. Nem R$ 1 milhão, nem R$ 3 mil reais, em nenhum momento isso entrou na minha conta ou me foi dado de qualquer maneira”, reafirmou Demóstenes.

Para confirmar a sua não participação nas atividades de Cachoeira, Demóstenes Torres leu aos senadores a nota divulgada pelo advogado Ruy Cruvinel que desmente as informações da revista "Carta Capital". Na nota, Cruvinel diz que nunca foi preso e nunca teve cassino e nega ter feito qualquer "declaração acusando o senador Demóstenes Torres de qualquer ligação e muito menos participação em atividade ilícita com quem quer que seja".

O senador também explicou o rádio Nextel que recebeu de Cachoeira, segundo a PF, para que as conversas não fossem interceptados. "Não tinha lanterna na popa e não tinha como adivinhar que o rádio era utilizado para outras atividades", disse Demóstenes, que afirmou que utilizava o aparelho para uso pessoal.

"Falava nos Estados Unidos, na Argentina, no Brasil, e falava com muitas outras pessoas", afirmou. Ele disse desconhecer que Cachoeira havia dado presente semelhante a outras pessoas. "Não podia imaginar jamais que 40 outras pessoas tinham esses rádios".

Entenda as suspeitas envolvendo Demóstenes Torres

Demóstenes é acusado de mentir aos colegas por ter negado na tribuna que tinha relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e busca provar que desconhecia os negócios do amigo. Devido às acusações, ele deixou seu partido, o Democratas, para não ser expulso. Além do Conselho de Ética, ele também é esperado para depor sobre sua relação com o bicheiro na CPI do Cachoeira.

Informações da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, contém informações que colocam Demóstenes como braço político dos negócios de Cachoeira, também apontado como sócio oculto da construtora Delta na mesma investigação.

Demóstenes foi chamado para falar na CPI na quinta-feira (31).

As escolhas de Demóstenes

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  • Fonte: "Folha de S.Paulo" e "Blog do Fernando Rodrigues"

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