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Advogado de ex-presidente do Banco Rural nega quadrilha e evoca passado de cliente

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

07/08/2012 19h12Atualizada em 07/08/2012 19h14

O último advogado a falar na sessão do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (7), foi o advogado José Carlos Dias, que defende Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Ele negou a existência de uma quadrilha que atuava no suposto esquema do mensalão e negou que sua cliente tivesse conhecimento de operações ilegais apontadas pela Procuradoria Geral da República. Segundo a Procuradoria, o Banco Rural alimentou o esquema com empréstimos fraudulentos.

"É uma quadrilha em que muitos quadrilheiros não se conhecem", afirmou. Segundo a Procuradoria, Rabello teria usado o cargo para conceder empréstimos sem as garantias exigidas e, junto a outros três réus, é acusada de ter disponibilizado ao suposto esquema do mensalão a quantia de R$ 32 milhões.  Ela é acusada de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituição financeira.

O advogado defendeu que seria impossível a então presidente do Banco Rural saber que empréstimos estavam sendo feitos. “Ela não teve nenhuma participação da concessão dos empréstimos.”

Ainda de acordo com Dias, Rabello não esteve presente quando esses empréstimos foram firmados. "Ela participou unicamente da renovação de um empréstimo para o PT. (...) O empréstimo foi quitado em condições normais, com cobrança de juros."

Sobre a acusação de lavagem de dinheiro, Dias disse que "há erros de conceitos técnicos". "A denúncia descreve a operação com recursos que estavam no sistema financeiro, que eram esfriados por meio de saques", afirma. No entanto, segundo ele, a denúncia não comprovou a origem ilícita dos recursos.

"É difícil compreender o que o Ministério Público pretendeu. A lavagem cobriria a gestão fraudulenta?", indaga. Ele diz que o Ministério Público ignorou laudos técnicos, que provariam que os empréstimos eram lícitos.

Em resposta à acusação de que o Banco Rural havia ocultado documentos, o advogado afirmou que eles já estavam separados para serem encaminhados à Justiça. "O Banco Rural foi vítima da sua própria transferência", disse, ao se referir aos registros da origem do dinheiro e de quem havia sacado.

O advogado também relatou fatos da vida pessoal de Rabello e disse que sua cliente não tinha vocação para assumir o posto no banco. "Por uma sucessão de tragédias, Kátia Rabello veio a assumir a presidência do Banco Rural", afirmou, ao contar que ela era bailarina, mas foi parar no conselho do banco com a morte da irmã, sucessora natural do pai –dono do negócio.

Entenda o mensalão

O caso do mensalão, denunciado em 2005, foi o maior escândalo do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O processo tem 38 réus, incluindo membros da alta cúpula do PT, como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil). No total, são acusados 14 políticos, entre ex-ministros, dirigentes de partido e antigos e atuais deputados federais.

O grupo é acusado de ter mantido um suposto esquema de desvio de verba pública e pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula. O esquema seria operado pelo empresário Marcos Valério, que tinha contratos de publicidade com o governo federal e usaria suas empresas para desviar recursos dos cofres públicos. Segundo a Procuradoria, o Banco Rural alimentou o esquema com empréstimos fraudulentos.

O tribunal vai analisar acusações relacionadas a sete crimes diferentes: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

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