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Líderes na Câmara tentarão convencer Feliciano a renunciar na próxima semana

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

26/03/2013 22h07Atualizada em 27/03/2013 08h55

Depois de uma reunião de lideranças partidárias que se estendeu por quase três horas, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou na noite desta terça-feira (26) que o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) será convidado para participar de uma reunião com o colégio de líderes na terça-feira (2), às 11h.

Segundo Alves, nesta reunião será apresentado o pleito da maioria dos parlamentares que não quer sua permanência na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Casa Legislativa.

Presidente da Câmara diz que Feliciano inviabiliza comissão

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Para o presidente da Câmara, o argumento para convencer o parlamentar será o de demostrar que a manutenção dele no posto impede o andamento normal das atividades da comissão e atrapalha a Câmara como um todo.

“Para a comissão poder se reunir, poder trabalhar, o comando da comissão poder comandar a comissão, aquele clima de radicalismo lá instalado – não importa de A, B ou C – não pode continuar”, citou Alves ao sair da reunião.

Alves frisou que a maioria dos partidos é contrária à quebra de acordos feitos para a distribuição dos comandos das comissões e, portanto, caberia ao PSC de Feliciano indicar outra pessoa no lugar do pastor.

O peemedebista ressaltou ainda que a questão em debate não é religião nem um descontentamento com o PSC, mas contra o comportamento de Feliciano. 

“[Feliciano] Foi a indicação que o partido fez. É o direito do partido. [Não há] Nada contra o PSC. Nada contra a bancada evangélica desta Casa. [Há] respeito absoluto, [não há] nada contra os evangélicos, quero absolutamente deixar claro isso. São circunstâncias pessoais do comportamento de um parlamentar à frente da presidência da Comissão de Direitos Humanos [se referindo a Feliciano] e que terá a oportunidade de numa reunião ampla dar as suas razões, explicar suas posições e ouvir o questionamento por parte dos líderes todos desta Casa”, afirmou Alves.

Repercussão

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), não quis polemizar sobre a nota lida pelo vice-presidente nacional do PSC, Everaldo Pereira, que trata da decisão de apoiar a permanência de Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

No mesmo documento, o PSC destaca o apoio que a legenda deu aos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. A legenda se classifica como uma das mais fiéis da base aliada governista.

“Não cabe esta discussão neste momento [do apoio do PSC ao PT]. O PT apoia o PSC na presidência da Comissão de Direitos Humanos. O que o PT não apoia é a permanência dele [se referindo a Feliciano] na presidência da comissão”, afirmou Guimarães.  

“O colégio de líderes é mais forte que um deputado”, resumiu o petista.

Pouco antes do fim da reunião, o líder do PSC, André Moura (SE), disse que o partido dele estaria disposto a ouvir propostas, mas que decisão final continuaria com sua legenda.

"Não mudou nada. Nunca fui intransigente para ouvir. Estou flexível para ouvir meus colegas e o presidente da Casa e, naturalmente, a decisão final é uma prerrogativa do PSC. Disso não vamos abrir mão", afirmou Moura ao sair da reunião dos líderes partidários com o presidente da Câmara.

Por acordo firmado entre os partidos representados na Câmara, o PSC garantiu o direito de indicar o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Segundo o regimento interno da Casa Legislativa, o presidente da Câmara dos Deputados não pode destituir um presidente de uma comissão, que foi votado pelos integrantes da comissão em questão.

"Não é uma proposta de troca. É uma busca de entendimento, como o presidente Henrique tem feito nos últimos dias", completou Moura.

Já o líder do PSOL na Câmara, o deputado Ivan Valente (SP), deixou a reunião das lideranças logo após a saída de Moura, mostrando pouco otimismo para a resolução desta polêmica.

Como alternativa, Valente defendeu a proposta de que, se Feliciano não renunciasse, os partidos esvaziariam a comissão. Cada legenda retiraria os seus integrantes para que ela perdesse sua representatividade.
 
O líder do PSOL disse ainda que, segundo suas contas, doze dos líderes presentes à reunião são contra a presença de Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

“Muitos líderes se pronunciaram que isso desgasta a Casa, constrange o Parlamento brasileiro”, afirmou Valente. 

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