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Líderes do DEM e da MD na Câmara pedem "demissão imediata" do presidente da Caixa

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

2013-05-28T13:05:33

28/05/2013 13h05

Depois de reunião com diretor-geral da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (28), os líderes do DEM , Ronaldo Caiado (GO) e da MD, Rubens Bueno (PR) na Câmara dos Deputados, pediram a demissão imediata do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, por não “esconder” durante mais de uma semana que o banco antecipou, sem aviso prévio, o pagamento de todos os beneficiários do Bolsa Família, e ainda alegar que a decisão foi tomada sem o conhecimento dele.

Em entrevista coletiva concedida ontem, Hereda admitiu que a liberação de pagamentos antecipados do Bolsa Família no último dia 17 foi intencional, com objetivo de evitar problemas para um grupo de 700 mil a 1 milhão de famílias, que tinham registros duplicados no sistema do banco.

Hereda reconheceu que a Caixa prestou informação equivocada quando divulgou que a liberação dos pagamentos teria ocorrido só a partir do sábado para evitar maiores tumultos.

“Em qualquer país sério do mundo ele seria demitido na hora. Isso é grave, é um crime. Ele pede desculpas e varre-se tudo para debaixo do tapete?”, defendeu Caiado.

Já o líder da MD avalia que a mudança no pagamento pode ter contribuído para que o boato de que o benefício seria cortado tenha se espalhado, o que gerou uma corrida às agências nos dias 18 e 19 de maio em 13 Estados. 

“Em todo esse episódio o que não faltou foi mentira e falta de transparência. Não há dúvida de que o erro da Caixa, ao antecipar na surdina os pagamentos, contribuiu de maneira decisiva para a difusão do boato sobre o fim do programa do governo. Sem contar que os beneficiários ainda foram prejudicados com os tumultos na agências”, avaliou Bueno.

Os dois deputados, em companhia dos líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) e da Minoria, Nilson Leitão (PSDB-MT), se reuniram com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello para saber do andamento do projeto.

Segundo relato dos parlamentares, o diretor do PF disse que tratava de uma “apuração difícil” e que todas as possibilidades de origem dos boatos estão sendo investigadas e estão sendo colhidos depoimento de testemunhas e funcionários da Caixa Econômica Federal.

Tanto na Câmara quanto no Senado, os parlamentares da oposição também protocolaram pedidos de convite para Hereda se explicar em comissões permanentes das duas Casas Legislativas.  Eles também registraram pedidos de convocação dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social) para se explicarem o fato. Os requerimentos ainda precisam ser aprovados nas comissões.

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