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Diplomata brasileiro assume que decidiu trazer senador boliviano ao Brasil

Do UOL, em São Paulo

26/08/2013 02h32

O diplomata Eduardo Saboia, o encarregado de negócios em La Paz (espécie de embaixador interino), disse neste domingo (25) ao programa “Fantástico”, da Rede Globo, que decidiu trazer ao Brasil o senador boliviano Roger Pinto, asilado há mais de um ano na embaixada do brasileira em La Paz, porque ele estava com depressão e corria risco de vida.

O diplomata afirmou que o Itamaraty pediu para que ele não falasse à imprensa sobre o assunto, mas que resolveu falar após o órgão citar seu nome em uma nota emitida neste domingo.

“Tomei a decisão de conduzir essa operação porque havia um risco iminente à vida e à dignidade de uma pessoa [Roger Pinto]”, disse Saboia, Encarregado de Negócios do Brasil em La Paz.

De acordo com Saboia, Pinto estava com depressão e pediu para ser tirado de lá. “É um quadro que podia degenerar ou em um suicídio ou em risco também para as pessoas que trabalham na embaixada”, disse.

Ainda de acordo com o diplomata, o confinamento prolongado do senador não tinha perspectivas para terminar e não havia um “verdadeiro empenho” para solucionar o problema.  "Eu estive em Brasília duas vezes dizendo: 'olha, a situação está ruim'. Inclusive eu pedi para sair de La Paz porque eu disse: 'eu não vou compactuar com essa situação que atenta à dignidade humana", relatou.

Entenda o caso envolvendo o senador boliviano Roger Pinto

  • Arte/UOL

    28.mai.2012 - Durante encontro com embaixador, o senador boliviano Roger Pinto, da oposição ao presidente Evo Morales, pede asilo político ao Brasil
    8.jun.2012 - O governo brasileiro concede asilo e é criticado por Evo Morales dias depois
    19.jul.2012 - Governo boliviano sobe o tom e acusa o embaixador brasileiro de fazer "pressão"
    2.mar.2013 - Um acordo bilateral decide criar uma comissão para analisar o caso de Roger Pinto
    17.mai.2013 - O advogado do senador pede que o Supremo Tribunal Federal pressione o Itamaraty
    23.ago.2013 - Por volta das 15h, saem da embaixada brasileira em La Paz Roger Pinto, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia e dois fuzileiros navais, em dois carros diplomáticos oficiais. Eles percorrem mais de 1.500 km por terra em uma viagem de mais de 22 horas
    24.ago.2013 - Na tarde deste sábado, os carros chegam a Corumbá, no Mato Grosso do Sul e, à noite, pegam um jatinho de um empresário amigo do senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES) rumo a Brasília
    25.ago.2013 - Roger Pinto, Ferraço e Sabóia chegam a Brasília

Viagem de 22 horas

Segundo o senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Pinto viajou 22 horas entre La Paz e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, em um automóvel da embaixada, escoltado por fuzileiros navais e policiais federais do Brasil. De Corumbá, Pinto seguiu em um avião fretado para Brasília, onde chegou na madrugada de domingo.

Neste domingo, Roger Pinto disse que quer reconstruir a vida no Brasil.

Itamaraty abre inquérito

Mais cedo. o Ministério das Relações Exteriores informou que não tinha conhecimentos da chegada de Pinto ao Brasil. Em nota, o órgão disse ainda que vai abrir um inquérito para apurar o caso

Na mesma nota. o Itamaraty relatou que foi informado do desembarque de Pinto no sábado (24), mesma data do ingresso do político em território brasileiro. O ministério disse também que convocou Saboia para prestar esclarecimentos.

Senador é acusado de corrupção

Pinto, acusado de diversos crimes de corrupção na Bolívia, refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012. Após dez dias de ser recebido na embaixada, o governo brasileiro concedeu ao senador o status de asilado político.

Em junho, o político foi condenado a um ano de prisão por um tribunal boliviano, que o declarou culpado de danos econômicos ao Estado calculados em cerca de US$ 1,7 milhão.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse dias depois que o governo da presidente Dilma Rousseff "garantia" a segurança do senador boliviano.

Ao desembarcar em Brasília, Pinto agradeceu às autoridades brasileiras, mas evitou comentar a sua vinda ao país sem o salvo-conduto do governo boliviano, que seria necessário para a viagem. "Devo agradecer uma vez mais a todo o Brasil e as suas autoridades. (...) Em um momento oportuno, uma vez que conheço a decisão das autoridades, poderei me pronunciar mais."

O chanceler também explicou que o governo prosseguia com negociações "confidenciais" com as autoridades bolivianas para tentar solucionar a situação. (Com agências internacionais)

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