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Itamaraty diz que vai abrir inquérito sobre chegada de senador boliviano ao Brasil

Senador da oposição boliviana Roger Pinto, que pediu de asilo político ao Brasil - Gaston Brito/Reuters
Senador da oposição boliviana Roger Pinto, que pediu de asilo político ao Brasil Imagem: Gaston Brito/Reuters

Do UOL, em São Paulo

25/08/2013 12h23

O Ministério das Relações Exteriores informou na manhã deste domingo (25) que não tinha conhecimentos da chegada do senador boliviano Roger Pinto, 53, ao Brasil. Em nota, o órgão disse que vai abrir um inquérito para apurar o caso.

Pinto, que estava asilado havia mais de um ano na embaixada brasileira em La Paz, desembarcou em Brasília, na madrugada de hoje, em um jatinho particular vindo de Corumbá (MS) e acompanhado do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

O Itamaraty relatou que foi informado da chegada de Pinto no sábado (24), mesma data do ingresso do político em território brasileiro. Diante da circunstância, o ministério disse que convocou o encarregado de Negócios do Brasil em La Paz, ministro Eduardo Saboia, para prestar esclarecimentos.

Ao desembarcar em Brasília, Pinto agradeceu às autoridades brasileiras, mas evitou comentar a sua vinda ao país sem o salvo-conduto do governo boliviano, que seria necessário para a viagem. "Devo agradecer uma vez mais a todo o Brasil e as suas autoridades. (...) Em um momento oportuno, uma vez que conheço a decisão das autoridades, poderei me pronunciar mais."

Tempestade diplomática

O senador veio para o Brasil salvaguardado pelo governo brasileiro, já que não possui o salvo-conduto da Bolívia (permissão necessária para deixar o país). A decisão pode culminar em uma “tempestade diplomática” entre os dois países, segundo fontes ouvidas pela agência Efe.

A aposta desses analistas é a de que a Bolívia prepara uma "resposta duríssima" para a saída de Pinto da embaixada, e que em La Paz se considera que houve uma "ruptura" da "confiança" entre ambos os governos.

Neste domingo (25), o governo boliviano confirmou a vinda do senador opositor ao Brasil, em um primeiro pronunciamento oficial sobre o assunto, e, em um breve comunicado, tratou Roger Pinto como fugitivo.

"Depois de estabelecer contatos com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores do Estado Plurinacional da Bolívia informou o público que o Sr. Roger Pinto Molina fugiu do país para a República Federativa do Brasil", diz a nota.

Senador é acusado de corrupção

Pinto, acusado de diversos crimes de corrupção na Bolívia, refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012. Após dez dias de ser recebido na embaixada, o governo brasileiro concedeu ao senador o status de asilado político.

Em junho, o político foi condenado a um ano de prisão por um tribunal boliviano, que o declarou culpado de danos econômicos ao Estado calculados em cerca de US$ 1,7 milhão.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse dias depois que o governo da presidente Dilma Rousseff "garantia" a segurança do senador boliviano.

O chanceler também explicou que o governo prosseguia com negociações "confidenciais" com as autoridades bolivianas para tentar solucionar a situação. (*Com agências internacionais)

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