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Vice-presidente da Câmara diz estar "decepcionado" com Henrique Alves por caso Genoino

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

03/12/2013 15h54Atualizada em 03/12/2013 16h17

Após apresentar a renúncia de José Genoino (PT-SP) ao mandato na Câmara dos Deputados, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), disse que Genoino não merece colocar “cassado” em seu currículo.

“[São] 25 anos na vida pública, o Genoino não merece colocar em seu currículo ‘cassado’. Já foi preso, foi condenado por atos que ele cometeu fora do parlamento, não tem seus direitos políticos, e pede aposentadoria.”

Vargas afirmou ainda estar “decepcionado” e “magoado” com o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que pretendia levar adiante o processo de cassação, mas descartou qualquer tipo de retaliação.

“Não haverá retaliação. O PT é muito responsável, governa o país. Governa ao lado do PMDB, mas, pessoalmente, me sinto absolutamente decepcionado com o presidente Henrique Eduardo Alves”, afirmou depois da reunião da Mesa Diretora que se reuniu sobre a abertura do processo de cassação do deputado licenciado José Genoino (PT-SP). 

"O presidente Henrique Eduardo Alves poderia, de ofício, ter decretado o efeito suspensivo, diante desta situação totalmente diferenciada, em que ele [Genoino] não pode se defender. Ele [Alves] militou por esta causa [da cassação]", afirmou o petista.

Entre os integrantes da Mesa Diretora, votaram a favor da abertura Henrique Alves, Fábio Faria (PSD-RN), Simão Sessim (PP-RJ) e Márcio Bittar (PSDB-AC). André Vargas foi seguido apenas pelo deputado Biffi (MS), também do PT. 

Vargas acrescentou que a “história irá julgar” se a renúncia foi uma saída honrosa para Genoino, mas classificou o processo como um “julgamento absolutamente político”, “abusivo” e “midiático”. “Esse julgamento ficará para a história e será avaliado ao longo da história. Então, a eventual saída honrosa ficará para a história julgar, não devemos julgar agora no calor do momento.”

Vargas questionou o tratamento diverso dado ao ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, que aguarda a Justiça expedir sua ordem de prisão. Amanhã, Jefferson passará por uma perícia médica para ser decidido se irá cumprir pena em regime domiciliar por conta da sua saúde frágil. Genoino, porém, só foi avaliado por uma junta médica depois de ter sido preso.

“Por que o Jefferson é tratado com essa diferença de ser visitado em casa? E acho que é adequado, porque está doente. [Mas] Por que o Genoino é tratado com  essa severidade? São perguntas que vão ficar para a história.” 

Caso Genoino não tivesse renunciado, o processo seria submetido ao plenário da Câmara em votação aberta.

Além de Genoino, outros três deputados federais foram condenados pelo STF no julgamento do mensalão: Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT) e João Paulo Cunha (PT-SP). Valdemar e Henry aguardam a expedição de seus mandados de prisão pelo STF, o que pode ocorrer ainda este ano. João Paulo Cunha ainda tem recursos a serem julgados pelo Supremo, o que deve ocorrer apenas em 2014.

Genoino, de 67 anos, tem problemas cardíacos e pediu aposentadoria por invalidez em setembro -- está licenciado desde então. Em 15 de novembro, ele teve a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas passou mal no presídio da Papuda, onde cumpria pena, e, depois de passar por exames, está em prisão domiciliar, na casa de uma de suas filhas em Brasília.

O julgamento do mensalão no STF
O julgamento do mensalão no STF
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