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Ao falar de demora para começo de obra em MG, Dilma ataca governo tucano

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

2014-05-12T17:27:14

2014-06-25T17:14:33

12/05/2014 17h27Atualizada em 25/06/2014 17h14

A presidente Dilma Rousseff atacou nesta segunda-feira (12) a gestão do PSDB à frente do governo federal ao rebater as críticas sobre a demora no início das obras de duplicação do trecho norte da BR-381, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares, em Minas Gerais, conhecida como “rodovia da morte”.

“Nunca, como dizia Lula, nunca antes se colocou tanto dinheiro em rodovia. Àqueles que criticam qualquer atraso podem responder: por que nos dez anos ou oito anos em que estiveram à frente do país não fizeram essa rodovia que há muito tempo era necessário?”, questionou Dilma na cerimônia de assinatura da ordem de serviço realizada na cidade mineira de Ipatinga. 

Os investimentos são da ordem de R$ 2,5 bilhões.

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Antes da fala da petista, o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Olavo Machado Júnior, cobrou em seu discurso a execução das obras atribuindo o atraso a uma “consequência da nossa incompetência, excesso de controle que não leva a nada”.

Dilma, no seu turno, justificou o atraso na liberação da verba durante seu governo argumentando que se cogitou conceder o trecho à iniciativa privada, mas que estudos apontaram que a tarifa de pedágio ficaria muito alta.

“Pelo trecho de duplicação, teríamos uma tarifa de pedágio muito alta, por isso mudamos para obra pública para o contribuinte não pagar mais, porque já pagou (...) via impostos. Isso que explica por que no nosso período tenhamos um ano de atraso, porque tentamos ver se daria pelo modelo de concessão, não deu”, disse.

A petista disse ainda quer irá acompanhar o ritmo das obras, guardadas há mais de 20 anos. A estrada tem um dos índices de acidente mais altos do país.

“Eu farei todo o esforço agora para controlar o ritmo das obras, vou olhar junto com o ministro Cesar Borges [dos Transportes], o ritmo do Dnit [Departamento Nacional de Infraestruturas de Transporte] ao liberar os processos, vou também olhar o ritmo das obras junto às empresas responsáveis”, afirmou.

Dilma também não poupou críticas ao governo estadual mineiro, que até o mês passado era governado pelo tucano Antônio Anastasia. Ao mencionar duas outras obras cobradas pela população, a construção de um anel rodoviário e do metrô em Belo Horizonte, Dilma disse que o governo do Estado também deveria ser cobrado pelo atraso.

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“Se estiver atrasado, eu sugiro que também se cobre o governo de Minas pelo atraso. (...) Até entendo o atraso, porque eles também não tinham projeto”, disse.

Ao destacar a importância estratégica de Minas para o país, Dilma disse ainda que o Estado gerou importantes políticos nacionais e citou como exemplo o ex-presidente Juscelino Kubitschek, num ataque indireto ao senador Aécio Neves (MG) e ex-governador do Estado, um de principais rivais nas eleições de outubro. 

A presidente aproveitou a ocasião para enaltecer os resultados de programas sociais do governo federal e chegou a dizer que conseguiu elevar “quase uma Argentina” à classe média.

“Conseguimos elevar 42 milhões de pessoas para a classe médica, 42 milhões é quase um país, quase uma Argentina.”

Ela reconheceu ainda que o que se paga aos professores não é “suficiente” e que é preciso aumentar os salários para que não apenas os “abnegados” continuem na profissão.

Dilma também citou o programa Mais Médicos, umas das principais bandeiras do seu governo, e ressaltou que, aos 1.117 profissionais que já atuam em 456 municípios mineiros, mais 104 médicos se juntarão.

Outro lado

O governo do Estado de Minas Gerais informou, por meio de nota, "que a obra do anel rodoviário de Belo Horizonte sempre foi e continua sendo de responsabilidade do Governo Federal".

"Como forma de tentar desemperrar a execução desta importante obra para a capital mineira –que foi prometida pelo governo Federal desde 2003– o governo mineiro se ofereceu para elaborar o projeto de engenharia do empreendimento. O projeto foi concluído. No entanto, o DNIT até o momento não liberou o DER/MG para fazer a licitação da obra. O órgão federal havia sugerido que fosse feita a licitação pela modalidade de RDC integrada", informou o governo.

De acordo com o governo mineiro, "no entanto, conforme legislação a respeito, este tipo de licitação só se aplica quando não há projeto de engenharia, o que não é o caso. Mais uma vez, afirmamos que o projeto está pronto".

"Importante destacar ainda que, ao contrário do que foi dito, até o momento o Governo Federal não repassou ao Governo do Estado nenhum centavo para execução das obras do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Já que os recursos são liberados à medida que a obra vai sendo executada", informou o governo.

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