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Câmara discute propostas de reforma política há mais de 20 anos

Resistências do Congresso impedem avanço de discussões sobre reforma - Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Resistências do Congresso impedem avanço de discussões sobre reforma Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Da Agência Câmara

28/10/2014 14h45

Em discurso após a divulgação de sua vitória no último domingo (26), a presidente Dilma Rousseff retomou a promessa de levar adiante a reforma política. Ela apresentou novamente a ideia de um plebiscito para consultar a população sobre os pontos que deverão ser alterados. Em junho do ano passado, como resposta às manifestações sociais, Dilma propôs a realização de um plebiscito sobre financiamento de campanhas, sistema eleitoral, suplência de senadores, coligações partidárias e voto secreto.

O deputado José Guimarães (PT-CE) chegou a apresentar um projeto convocando o plebiscito, mas o texto não avançou na Câmara.

Na Casa, a reforma política está sendo discutida em outras várias instâncias. Elaborada por diversas entidades da sociedade civil, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a proposta de iniciativa popular chamada de Eleições Limpas aguarda votação na Comissão de Finanças e Tributação. O texto impede empresas de financiarem campanhas eleitorais, autorizando apenas pessoas físicas a fazerem doações de até R$ 700 aos candidatos.

Entre outros pontos, a proposta também estabelece eleições em dois turnos para a Câmara. No primeiro turno, as pessoas votariam no partido; e, no segundo, os cidadãos voltariam às urnas para escolher, já com um número menor de candidatos, pessoas de uma lista pré-ordenada pelo partido. Além disso, o texto criminaliza a prática de caixa dois eleitoral, com punição de até oito anos de detenção.

Fim da reeleição


Também após as manifestações populares de junho de 2103, funcionou na Câmara o Grupo de Trabalho (GT) da Reforma Política, que elaborou uma proposta prevendo o fim da reeleição para presidente, governador e prefeitos e a coincidência das datas das eleições a cada quatro anos.

Entre outros pontos, a proposta também acaba com os “casamentos temporários” feitos entre os partidos às vésperas da eleição. Pelo texto, as chamadas coligações eleitorais terão de valer durante todo o mandato, convertidas em federações de partidos.

Em análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, a PEC também propõe um teto de despesa para a campanha eleitoral, que será definido em lei pelo Congresso Nacional. O texto determina ainda que seja fixado em lei um valor máximo para as doações de pessoas físicas e jurídicas. Pela proposta, cada partido poderá optar pelo modo de financiamento, se privado, misto ou exclusivamente público.

Propostas antigas


A reforma política vem sendo discutida na Câmara há cerca de 20 anos, sem que se chegue a um acordo que permita a votação. Outro colegiado que analisou o tema na atual legislatura foi a Comissão Especial da Reforma Política, instalada em 2011.

A proposta apresentada pela comissão prevê, entre outros temas, financiamento público exclusivo de campanhas, fim das coligações para eleições proporcionais, instituição de uma lista flexível de candidatos, simplificação do processo de apresentação dos projetos de iniciativa popular e eleições no mesmo ano para todos os cargos – de vereadores a presidente da República.

Como alternativa à proposta, o Plenário também tentou votar, em abril do ano passado, sem sucesso, Proposta de Emenda à Constituição que prevê apenas a coincidência dos mandatos e das eleições gerais e municipais.

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