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Marta quis "atirar em Deus e acertou no padre", diz Juca Ferreira sobre críticas

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, na cerimônia de transmissão de cargo em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, na cerimônia de transmissão de cargo em Brasília Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

12/01/2015 12h53Atualizada em 12/01/2015 15h03

O novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse nesta segunda-feira (12) que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) quis "atirar em Deus e acertou o padre” ao fazer críticas ao sucessor em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo".

"Eu sou um alvo eventual, ela quis atirar em Deus e acabou acertando num padre de uma paróquia. O problema dela é com o partido dela, que é o meu também, é com a presidenta da República, é com um desejo já de algum tempo de ser candidata”, declarou Juca.

O ministro, no entanto, se recusou a dizer quem seria "Deus". Ele também afirmou que se sentiu agredido pelas declarações de Marta.

A ex-ministra da Cultura afirmou que enviou à CGU (Controladoria-Geral da União) documentos sobre supostas irregularidades em parcerias de R$ 105 milhões, firmadas pela pasta na gestão de Juca Ferreira, com uma entidade que presta serviços à Cinemateca Brasileira -- órgão vinculado ao ministério com sede em São Paulo. Os documentos apontariam os "desmandos" que a petista diz que foram cometidos pelo seu antecessor.

Juca já ocupou o cargo de ministro da Cultura durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Marta chamou sua administração de “muito ruim” em entrevista publicada ontem. Também fez críticas à presidente Dilma e ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). As declarações têm causado desconforto entre petistas e reforçam suspeitas de que Marta quer deixar a legenda.

Ao comentar a entrevista de Marta, Juca disse o processo em questão está sendo apurado pela CGU e que colocaria "a mão no fogo" pela entidade investigada. Ele reconhece que não pode negar se realmente há irregularidades no convênio ou não antes da conclusão da análise do caso e disse que a parte investigada do convênio corresponde às gestões e Ana de Hollanda e de Marta.

"Ela se voltou contra mim. Na verdade, eu não estou na linha de tiro dela. [...] Não é comigo o conflito, é porque eu fui mais aplaudido que ela em um evento cultural. Paciência, eu não posso ser punido pela popularidade que vocês viram aí e ninguém pode dizer que isso é claquete, porque não é. Isso são pessoas que reconhecem o trabalho que foi feito no governo do presidente Lula e queriam a continuidade dessas políticas", disse Juca.

Questionado sobre qual a avaliação ele faz sobre a gestão de Marta à frente do Ministério da Cultura, o ministro disse que ainda está recebendo análises da comissão de transição da pasta. “Eu diria que não foi tão boa quanto ela foi boa prefeita [de São Paulo]”.

Juca disse também que está disposto ao diálogo com a senadora. “Eu me senti agredido com a irresponsabilidade com que ela tratou uma pessoa honesta que tem quase 50 anos de vida pública.”

Deputado critica Marta; ministros não comentam

O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência da República) não quis comentar a entrevista, apenas fez elogios ao novo titular da Cultura.

"Não vou falar desse assunto. Vou falar do ministro Juca. Um excelente ministro. [Temos] Uma confiança enorme num mandato inovador, aberto, valorizando a cultura brasileira. Um excelente companheiro de governo”, declarou Rossetto.

O deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) afirmou que a entrevista de Marta foi um “desastre total”. “As críticas que ela faz têm muito mais a ver com a sucessão paulistana do que propriamente os grandes temas nacionais. Eu espero que possamos contornar ainda esse problema.”

Já o deputado federal Magela (DF), secretário-geral nacional do partido, evitou comentar a entrevista, mas comentou brevemente as mudanças na sigla. “O PT é uma metamorfose ambulante, nós estamos sempre mudando, sempre melhorando. Não vai acabar”, disse Magela.

Juca tomou posse com o apoio de diversos ministros, mas nenhum deles comentou as declarações de Marta. Pelo menos dez participaram da cerimônia: Aloizio Mercadante (Casa Civil), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Carlos Gabas (Previdência Social), Arthur Chioro (Saúde), Ideli Salvatti (Direitos Humanos), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Vinícius Lage (Turismo), Nilma Lino Gomes (Igualdade Racial) e Eleonora Meniccuci (Mulheres).

O ministro não mencionou em momento algum a gestão de Marta em seu discurso, mas fez elogios ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), por sua atuação como ministro da Educação e no comando da capital paulista. Juca comandava a secretaria da área até ser nomeado por Dilma. Marta foi nomeada para o ministério após aceitar fazer campanha eleitoral para Haddad quando ele era candidato em 2012.

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