Vaias, Pixuleko e protestos: veja o que rolou na ida de Dilma ao Congresso

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

O clima tenso entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e a oposição no Congresso Nacional não esfriou mesmo depois do recesso parlamentar. Nesta terça-feira (2), a presidente foi vaiada cinco vezes durante seu discurso na abertura do ano legislativo. Mas as vaias foram apenas a parte mais visível dessa tensão. Desde a sua chegada, era possível sentir o "climão" no local. Veja alguns bastidores da passagem de Dilma pelo Congresso:

Chegada: beijo ou aperto de mão?

O "climão" de Dilma no Congresso Nacional começou logo na chegada. Após subir a rampa que dá acesso ao Salão Nobre, Dilma se deparou com um de seus principais desafetos, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que a esperava junto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski.

 

Em frente a um telão montado no Salão Verde da Câmara, a expectativa era se Dilma ignoraria Cunha ou não. Ao final, Dilma deixou Cunha por último e, em vez dos beijinhos no rosto que distribuiu a Renan e a Lewandowski, dedicou apenas um aperto de mão a Cunha. Um assessor que assistia à cena respirou aliviado. "Se livraram de mais uma saia-justa", disse, referindo-se ao dia anterior, quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pediu o afastamento de Cunha do cargo, sentou-se ao lado do presidente da Câmara na abertura do ano judiciário. 

Manifestante solitária

O clima de tensão aumentou quando, logo após a chegada de Dilma ao plenário da Câmara, gritos femininos foram ouvidos do corredor, a pouco mais de 50 metros de onde Dilma estava naquele momento. Um rápido corre-corre de cinegrafistas e repórteres tem início em direção ao local de onde surgiam os gritos.

 

Uma mulher com uma faixa contra a presidente gritava palavras de ordem, mas foi contida pelos seguranças da Casa. Ela usava as mãos para bater na porta de vidro reforçado vigiada por policiais da Câmara. "Fora Dilma", era o que ela gritava. A cerimônia, no entanto, não foi interrompida e Dilma seguiu diretamente para o Plenário da Câmara dos Deputados.

Pixuleko no plenário

A oposição se preparou para a chegada de Dilma ao Congresso e para recepciona-la, alguns parlamentares se equiparam. O deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), segurara um dos quatro "pirulitos" gigantes com o slogan "Xô, CPMF", em alusão à CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), defendida por Dilma em seu discurso.

Leandro Prazeres/UOL
Da esq. para a dir., os deputados Alberto Fraga (DEM-DF), Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). Fraga levou um boneco Pixuleko ao plenário

Além dos "pirulitos", também havia faixas seguradas pelo trio Alberto Fraga (DEM-DF), Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). Os três integrantes da chamada da "bancada da bala" seguravam uma faixa bastante direta. "O Brasil não aguenta mais você; cai fora". Fraga levava ainda um boneco Pixuleko, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vaias, mas também aplausos

A presidente Dilma teve direito a uma manifestação direta de como a recriação da CPMF deverá dividir o Congresso Nacional. Ao longo de seu discurso, Dilma foi vaiada pelo menos cinco vezes, três delas quando Dilma mencionava o esforço do governo em recriar o imposto.

 

O "muy amigo" Renan Calheiros

Apesar de ser tido como aliado do Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Renan Calheiros, colocou Dilma Rousseff em uma saia-justa após o discurso da presidente. Na hora do seu discurso, Renan defendeu a independência do Banco Central (conceito rebatido por Dilma) e o fim a obrigação de Petrobras atuar no pré-sal. "Mais do que um Banco Central, precisamos de um banco centrado, focado na política e infenso às interferências, sejam quais forem", afirmou. Sem direito a tréplica, Dilma conversava baixinho com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski. 

 

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