Após 20 anos, tucanos escolhem candidato em SP que não é Serra nem Alckmin

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

    À esquerda, Serra participa de carreata com o apresentador Gugu Liberato, em 1996; à direita, Alckmin, candidato em 2000, aparece com seu padrinho político, Mário Covas

    À esquerda, Serra participa de carreata com o apresentador Gugu Liberato, em 1996; à direita, Alckmin, candidato em 2000, aparece com seu padrinho político, Mário Covas

Desde a fundação do PSDB, em 1988, o partido só teve três nomes diferentes nas sete eleições para a Prefeitura de São Paulo realizadas no período. Do trio, dois são considerados, hoje, alguns dos representantes mais fortes entre os tucanos: o senador José Serra (candidato por quatro vezes) e o governador paulista, Geraldo Alckmin (por duas vezes). O outro nome foi Fabio Feldmann, que hoje não está mais filiado ao partido.

As prévias para a escolha do candidato na eleição de 2016 marcarão uma ruptura com a "tradição" Serra-Alckmin do PSDB, intensificada nos últimos 20 anos. No próximo domingo (28), os mais de 27 mil tucanos na capital paulista vão optar entre o vereador Andrea Matarazzo, o empresário João Doria Jr. e o deputado federal Ricardo Tripoli. Para ser escolhido como candidato do PSDB à prefeitura paulistana, um deles precisará obter mais de 50% dos votos dos filiados. Caso contrário, será realizado um segundo turno da prévia, com os dois nomes mais votados, no dia 20 de março.

Serão disponibilizados 58 locais de votação em toda a cidade, que estarão operando entre 9h e 15h ou entre 10h e 16h, dependendo da seção (veja a lista aqui). A expectativa é que o resultado seja conhecido por volta das 18h.

Vitória solitária

De todas as tentativas de um tucano tornar-se prefeito de São Paulo, em apenas uma o partido saiu vitorioso. Foi em 2004, quando Serra venceu a então prefeita, a petista Marta Suplicy, que estava em baixa entre os eleitores pela criação de taxas de lixo e luz em sua gestão. 

Eduardo Knapp - 12.jul.2004/Folhapress
Serra fala para candidatos a vereador em encontro no clube Espéria, em SP, em 2004

Antes, Serra já havia sido derrotado em 1996, em primeiro turno, na disputa com Celso Pitta --indicado pelo prefeito da época, Paulo Maluf (PPB), para ser seu sucessor-- e a petista Luiza Erundina, que comandou a cidade entre 1989 e 1992.

A última derrota do tucano aconteceu na eleição de 2012 para o petista Fernando Haddad, em segundo turno

Já Alckmin não conseguiu chegar ao segundo turno em nenhuma de suas duas tentativas de tornar-se prefeito da capital paulista. Na primeira, em 2000, o atual governador ficou atrás de Marta --que sairia vencedora do pleito em segundo turno-- e Maluf.

Oito anos depois, Alckmin tornou-se, novamente, candidato do PSDB à prefeitura, apesar de parte do partido ter sido contrária à sua presença na disputa.

Eduardo Knapp - 3.out.2008/Folhapress
Em 2008, Alckmin cumprimentou eleitores no centro de São Paulo

Gilberto Kassab, então no Democratas, tentava manter-se prefeito depois de ter assumido o cargo com a saída de Serra, em 2006, para disputar o governo paulista. A ala serrista do PSDB defendia o apoio do partido a Kassab, que acabou eleito após disputar o segundo turno com Marta. Alckmin parou, em terceiro lugar, no primeiro turno de 2008

O último nome diferente do PSDB como candidato à Prefeitura de São Paulo foi Fabio Feldmann, que, atualmente, não está filiado a nenhum partido. Ele disputou a eleição de 1992, que foi vencida por Paulo Maluf, do PDS. Feldmann ficou atrás de Eduardo Suplicy (PT, 2º colocado) e Aloysio Nunes Ferreira (PMDB, 3º colocado).

Na eleição anterior, a de 1988 --a primeira do PSDB na corrida pela prefeitura paulistana--, o candidato tucano foi José Serra. Ele acabou a disputa atrás de João Leiva (PMDB, 3º colocado), Paulo Maluf (PDS, 2º colocado) e Luiza Erundina (PT), vencedora da eleição.

Análise

Para o presidente do diretório municipal do PSDB, o vereador paulistano Mário Covas Neto, a escolha por Serra e Alckmin nos últimos 20 anos mostrou o desejo do partido de querer "ganhar a eleição". "Durante esse período, isso se apresentou no Serra e no Alckmin", disse ao UOL.

 

Neste ano, nenhum dos dois será o candidato devido a seus momentos políticos, segundo Covas Neto. "O Geraldo está na metade do segundo mandato do governo de São Paulo. E o Serra acabou de completar o primeiro ano como senador."

Levy Ribeiro - 7.set.2012/Estadão Conteúdo
Serra chegou ao segundo turno em 2012, mas acabou derrotado por Haddad

 

Na visão do presidente do diretório, o partido está na fase de apresentar nomes. "Eles podem parecer mais fracos agora, mas tenho convicção de que, quando eles forem apresentados como candidato do Fernando Henrique [Cardozo, ex-presidente da República], candidato do Geraldo, candidato do Aécio [Neves, senador pelo PSDB mineiro], ganhem corpo junto aos eleitores."

 

Para Vera Chaia, professora do departamento de política da PUC-SP e pesquisadora do Neamp (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política), a dualidade Serra-Alckmin nas últimas eleições mostra a necessidade de renovação, para o "partido se oxigenar". "Com a personalidade política forte de Serra e Alckmin, faltava espaço para nomes novos se mostrarem."

 

Nos bastidores

Apesar de não estarem nominalmente presentes na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Alckmin e Serra estão por trás de dois dos três pré-candidatos. O governador apoia o empresário João Doria Jr. enquanto o senador dá sustentação ao vereador Andrea Matarazzo.

 

A pesquisadora não acredita que o pleito municipal ajudará Serra e Alckmin a ganharem força para disputar a candidatura do PSDB à Presidência da República em 2018. "Tem que lembrar que tem o Aécio, que vai lutar por isso. São três nomes muito fortes, mas a importância da disputa em São Paulo é mais pela repercussão nacional."

 

Covas Neto diz que, primeiro, é necessário ganhar o pleito para a Prefeitura de São Paulo. "É preciso dar um passo de cada vez."

 

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