Vaiada, mãe de Moro diz que querem inventar coisas que não existem

Nathan Lopes*

Do UOL, em São Paulo

Responsável pela Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro já foi criticado por pessoas contrárias à investigação sobre esquemas de desvios na Petrobras. Na última terça (8), foi a mãe do magistrado que sofreu ataques durante cerimônia na Câmara de Maringá (PR).

Odete Moro, 70, foi vaiada por militantes ligados a centrais sindicais enquanto recebia o título do Mérito Comunitário. O grupo também usou palavras de ordem em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sobre a atuação de seu filho na Lava Jato, Odete diz que sabe o que ele está fazendo. "Sei que ele é uma pessoa competente, uma pessoa estudiosa. E, se ele está fazendo isso, é porque ele tem comprovação. O juiz não trabalha com hipóteses, ele trabalha com fatos e provas", disse a professora aposentada em entrevista ao UOL.

"Então, as pessoas podem dizer tudo o que quiserem. Eles querem, por toda lei, fazer uma ligação com o PSDB, ligação que não existe."

Sem surpresa

A professora aposentada diz que a atitude dos militantes não a afetou. "Porque, de certa forma, sabendo o comportamento normal deles, isso não foi surpresa", comentou. "Olha, eu não sei o que se passa na cabeça das pessoas. Eu acredito que eles sejam idealistas e acreditam piamente no PT. Então uma forma de elogiar o PT seria agredir alguém que, na cabeça deles, está contra o PT", avalia Odete.

Reprodução
Odete Moro recebeu título do Mérito Comunitário das mãos do vereador de Maringá Ulisses Maia (PDT)

A mãe de Moro recebeu a homenagem, ao lado de outras 14 cidadãs, na sessão solene realizada em razão do Dia Internacional da Mulher, por atuar em grupos da Igreja Católica que desenvolvem trabalho social na cidade do norte do Paraná.

O nome de Odete foi indicado pelo vereador Ulisses Maia, do PDT, partido que criticou a ação da Lava Jato por usar um mandado de condução coercitiva para ouvir depoimento do ex-presidente Lula. "Não tenha dúvida de que a indiquei também por ela ser mãe do juiz Moro, que tem sido a esperança do povo brasileiro, por tê-lo educado", disse o vereador, que não vê a homenagem como questão política. "Eu sigo minha postura independente."

Odete teria sido vaiada porque, minutos antes de receber o título, a ativista Maria da Conceição Franco, diretoria do Sismmar (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá), foi homenageada. Vinculada ao Partido dos Trabalhadores, Zica Franco, como é conhecida, foi saudada por militantes, mas também recebeu vaias da "claque" antipetista. "Eu não ouvi [as vaias]. Sinceramente, não ouvi. Mas, segundo eles, [ela] foi vaiada. Então, daí, em contrapartida, eles resolveram me vaiar", diz a mãe de Moro.

"De um lado, eu recebi muitos aplausos e tirei muita fotografia, e fui elogiada de muitas formas. Isso eu acho que faz parte da vida, né? Alguns concordam com você, e outros não. E acho que as pessoas têm livre-arbítrio", comenta Odete.

"Críticas mentirosas" são o que mais afetam a mãe do juiz. "O que acontece é o seguinte: para alguns, descobrir toda essa sujeira que está sendo desvendada é um motivo de orgulho. E tem outros que acham que não. Talvez por idealismo, sei lá o que passa na cabeça das pessoas, acham que ele está, vamos dizer, perseguindo pessoas. Talvez um psicólogo tenha condições de explicar por que alguns aplaudem e por que outros fazem críticas." 

* Colaboraram André Carvalho e Diogo Pinheiro, em São Paulo

Como a Lava Jato chegou a Lula

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