Processo de impeachment

Para líderes da oposição, delação de Delcídio vai acelerar queda de Dilma

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Alan Marques/Folhapress

    O senador Cássio Cunha Lima

    O senador Cássio Cunha Lima

Líderes de partidos de oposição no Senado afirmaram nesta terça-feira (15) que o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) vai acelerar a queda da presidente da República Dilma Rousseff (PT). Para o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), a delação de Delcídio "enfraquece ainda mais o governo".  

O acordo de delação premiada feito por Delcídio do Amaral foi homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e divulgado nesta terça-feira . Entre as citações feitas por Delcídio está a de que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, lhe ofereceu vantagens financeiras para que ele não fizesse a delação e a de que o senador do PSDB Aécio Neves (MG) recebia propina originada da estatal Furnas. Mercadante negou ter tentado impedir que Delcídio fizesse a delação e Aécio disse que as acusações de Delcídio são "mentirosas e requentadas".

O conteúdo da delação de Delcídio foi divulgado dois dias depois de manifestações contra o governo da presidente Dilma reunirem pelo menos 3 milhões de pessoas em todo o Brasil (segundo dados de Polícias Militares) e em meio à indefinição sobre se o ex-presidente Lula será ou não nomeado ministro do governo Dilma.

Para Cunha Lima, o conteúdo da delação acelera o impeachment. "Tudo isso enfraquece ainda mais o governo e acelera o processo de impeachment, que é o nosso foco. Queremos a instalação imediata da comissão processante para que, no menor espaço de tempo possível, o Brasil possa ter uma conclusão desse processo."

O líder tucano classificou o governo da presidente Dilma como um paciente com "morte cerebral". "A nomeação do ex-presidente Lula vai prolongar o sofrimento do povo brasileiro na tentativa de manter esse governo morto. O governo sobrevive por aparelhos."

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), também acredita que a delação pode aumentar a velocidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma.

"O governo tenta criar factoides para tentar ver se a instalação (da comissão do impeachment na Câmara) não é feita de imediato. Eles sabem muito bem que se for instalada, vamos ter mais de 400 votos (a favor do impeachment) na Câmara. Chegando aqui no Senado, essa proporção será semelhante. O Governo não tem mais condições de ter apoio político aqui", afirma Caiado.

Citado por Delcídio, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que PSDB, autor da ação contra a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer (PMDB) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ainda não decidiu se irá adicionar a delação do senador petista aos autos do processo. Aécio disse que o fato de ter sido citado por Delcídio, no entanto, aumenta sua determinação para a queda da presidente Dilma.

"A minha determinação é muito maior de ir em frente. Essas citações absurdas e laterais só aumentam minha determinação", afirmou o tucano.

Nesta quarta-feira (16), o STF deverá concluir o julgamento dos recursos movidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e definir, finalmente, qual será o rito que a Câmara deverá seguir para dar prosseguimento ao processo de impeachment contra a presidente Dilma. O presidente da Câmara disse ter a intenção de criar a comissão processante do impeachment até o final desta semana.

 

Veja quem Delcídio do Amaral acusa em sua delação premiada

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