Eles não apoiam o governo e foram ao ato para defender a democracia

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

  • Julio Cesar Guimaraes/UOL

    Manifestante segura cartaz com "defesa da democracia e do Estado de direito"

    Manifestante segura cartaz com "defesa da democracia e do Estado de direito"

"Eu não estou aqui por Dilma e nem por Lula. Estou aqui pela democracia". A declaração do servidor público Miguel Ferreira, 63, durante o protesto ocorrido nesta sexta-feira (18) na Praça 15, no centro do Rio de Janeiro, é um exemplo de que nem todo manifestante apoiava o governo, mas se juntou aos petistas pela manutenção do regime democrático. "Não vai ter golpe", gritaram repetidamente os manifestantes durante toda a manifestação.

Iniciado no meio da tarde, o ato reuniu cerca de 70 mil pessoas, segundo os organizadores – a Polícia Militar do Rio não divulga estimativas de público. A maioria dos participantes vestia a cor vermelha e muitos empunhavam bandeiras ou exibiam nas roupas adesivos com a estrela do PT, assim como imagens da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O caráter partidário do protesto não impediu, no entanto, críticas ao atual mandato de Dilma. "O governo é uma porcaria", afirmou Miguel, que disse não ser petista. "A gente não está aqui para compactuar com a corrupção no governo e na Petrobras", afirmou a psicóloga e professora Wania Guedes Pereira, 66. "Mas a oposição quer tirar Dilma mesmo sem [a comprovação de] crime porque querem impedir as investigações", opinou.

Júlio César Guimarães/UOL
Os amigos Wania Guedes, Miguel Ferreira e Roberto Guimarães fazem críticas ao governo Dilma, e dizem ter ido a ato no Rio para defender a democracia

Amigo de Miguel e Wania, o cientista político aposentado Roberto Magalhães, 64, criticou a atuação do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância e alvo de muitas faixas e cartazes na manifestação desta sexta. Em uma delas, a foto de seu rosto foi modificada e ganhou o bigode característico do ditador alemão Adolf Hitler. Acompanhando a imagem, a frase: "Moro, você não está acima da lei. Pela soberania nacional".

"O golpe judiciário já foi iniciado pelo juiz Moro", afirmou Magalhães, citando a divulgação dos grampos com conversas entre Lula e Dilma.

Para a estudante de comunicação social da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Alice Corrêa, 19, o governo Dilma "não está correspondendo às expectativas", mas isso não interessa no momento. "A questão é que crises não são resolvidas com golpe, e sim com democracia".

Vestida de vermelho, a autônoma Natália Vivaqua, 30, foi ao ato com amigas e disse faz "críticas à esquerda" ao mandato da presidente petista. "Ela está cumprindo a pauta da direita. Não entendo por que eles estão reclamando", declarou.

O que a levou ao protesto, apesar da oposição, foi, segundo ela, a oportunidade de fazer parte de uma tomada de posicionamento da esquerda a favor da democracia. E de fazer uma alerta: "O combate à corrupção é um ótimo discurso para sustentar um golpe".

"A única arma que a gente tem contra o golpe é a rua", declarou Roberto Magalhães, que em 1964 era vice-presidente de uma associação de estudantes no Rio de Janeiro.

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