Oficialmente fora do governo, PMDB não impõe prazos para deixar cargos

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

Apesar de ter anunciado a saída da base do governo nesta terça-feira (29), ocupantes de cargos de confiança do PMDB, incluindo os ministros de Estado, não deverão entregar seus cargos imediatamente. Segundo o ex-ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, "ninguém vai sair daqui correndo para arrumar as gavetas".

Em uma reunião rápida, integrantes do diretório nacional do PMDB decidiram, por aclamação, a saída do partido da base do governo. O vice-presidente da sigla, senador Romero Jucá (RR), disse todos os filiados do PMDB que ocupam cargos públicos no governo federal têm de deixar seus postos imediatamente.

"Eu digo que para bom entendedor, meia palavra basta. Aqui foi dada uma palavra inteira. Portanto, todos devem pensar no que vão fazer", afirmou Jucá.

Atualmente, o PMDB ocupa seis ministérios e centenas de cargos públicos. Entre os ministros do PMDB que já manifestaram desejo de continuar nos cargos apesar do rompimento da sigla com o governo estão o ministro da Saúde, Marcelo Castro, e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia).

Questionado sobre eventuais punições aos integrantes do PMDB que decidirem continuar nos cargos, Jucá disse que o momento é de esperar. "Cada caso vai ser analisado. Vamos esperar se o ministro sai ou não sai. Não podemos prejulgar os ministros", afirmou.

Eliseu Padilha descartou a possibilidade de que ministros do PMDB possam se licenciar do partido para continuar a ocupar seus cargos no governo. "Se houver pedido, vamos avaliar essa possibilidade. Mas eu já olhei o estatuto e não há essa previsão", disse Padilha.

O ex-ministro da Aviação Civil disse acreditar que não será preciso punir integrantes do partido por conta do rompimento com o governo. "Eu acredito que todo peemedebista vai sair. Nem se analisa essa hipótese", afirmou.

Atualmente, o PMDB ocupa os ministérios da Saúde, Ciência e Tecnologia, Aviação Civil, Agricultura, Minas e Energia e Portos.

Impeachment

Questionados sobre o processo de impeachment que tramita contra a presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, Padilha e Jucá foram cautelosos. "O impeachment ainda está sendo instruído e a comissão (especial do impeachment) vai se manifestar. O PDMB marcará sua posição no tempo devido", afirmou.

Padilha afirmou que o PMDB não pretende interferir no andamento do processo de impeachment. O impeachment não está no programa do PMDB. O melhor que o PMDB pode fazer em se tratando de impeachment, é não fazer nada. O PMDB não vai decidir sobre o impeachment. Nem para haver ou para não haver", afirmou.

A saída do PMDB da base aliada do governo é um duro revés para o governo que precisa de alguns dos 68 votos do PMDB na Câmara para barrar o processo de impeachment contra a presidente Dilma. Para que o processo seja interrompido, o governo precisa de pelo menos 172 contrários ao impeachment. O PMDB tem a maior bancada no Congresso com 68 deputados e 18 senadores. 

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