Processo de impeachment

Não vamos permitir que a nossa democracia seja manchada, diz Dilma

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

Em mais um evento no Palácio do Planalto com a participação de movimentos sociais que são contra o impeachment, a presidente Dilma Rousseff voltou a defender nesta sexta-feira (1º) que seu afastamento pelo Congresso seria o equivalente a um "golpe" e prometeu "oferecer resistência".

"Nós sabemos que sem democracia a estrada das lutas pela igualdade e contra o preconceito será muito mais difícil. Por isso, não vamos permitir que a nossa democracia seja manchada", disse Dilma.

"Nós hoje precisamos nos manter vigilantes e oferecer resistência às tendências antidemocráticas e oferecer resistência às provocações", afirmou a presidente.

Dilma condenou a "perseguição" ou violência contra aqueles que pensam diferente e acusou o campo político oposto dessas práticas.

Roberto Stuckert Filho/PR
Integrantes do MST fizeram uma pirâmide humana durante com DIlma

Este foi o terceiro evento esta semana no Planalto com convidados contrários ao impeachment. Na quarta-feira, Dilma lançou uma etapa do programa Minha Casa Minha Vida e também foi recebida por movimentos sociais contrários ao impeachment. Na quinta-feira, a presidente se reuniu com artistas em evento também recheado de manifestações contra o processo de afastamento.

Os eventos levaram o partido de oposição DEM a questionar na Justiça a legalidade dos atos, argumentando que a presidente se vale da estrutura do governo para fazer sua defesa política.

A cerimônia no Planalto foi voltada à assinatura de atos para a reforma agrária e regularização de terras quilombolas.

Os ministros Nilma Lino Gomes (Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) citaram o bordão contra o impeachment "não vai ter golpe" em suas falas.

Líderes de trabalhadores rurais também discursaram e prometeram "ocupar ruas" e propriedades rurais em resistência ao processo de impeachment, também classificado por eles como "golpe". 

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Dilma assinou atos para a reforma agrária e regularização de terras quilombolas

Antes da fala da presidente, o secretário de Finanças e Administração da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) Aristides Santos defendeu que os movimentos rurais ocupem fazendas e propriedades de políticos e defensores do impeachment.

"Vamos ocupar os gabinetes, mas também as fazendas deles. Vai ter reforma agraria, vai ter luta e não vai ter golpe. Viva os trabalhadores", disse.

Um dos coordenadores nacionais do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), Alexandre Conceição afirmou que o movimento pretende "ocupar as ruas" em manifestações contra o impeachment.

"Esse palácio [o Planalto] não pertence ao 1% da população que é rica. Esse palácio pertence ao povo brasileiro", disse. "E nós vamos ocupar as ruas", afirmou.

Dilma foi recebida pelo coro de "Não vai ter golpe", grito de guerra usado para criticar o processo de impeachment aberto contra a presidente no Congresso.

No evento, foi lançado um edital de R$ 4 milhões para projetos voltados à igualdade racial e assinados quatro decretos de regularização de terras quilombolas nos Estados de Sergipe, Pará, Rio Grande do Norte e Maranhão, que abrangem 22 mil hectares e beneficiam 799 famílias.

Também foram assinados 21 decretos de desapropriação para a reforma agrária que somam uma área total de 35,5 mil hectares em 14 Estados.

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