Investigado na operação Zelotes, Gim Argello já foi cotado para vaga no TCU

Do UOL, em São Paulo

  • Sérgio Lima/Folhapress

    Gim Argello é investigado por suposto recebimento de propina na Lava Jato

    Gim Argello é investigado por suposto recebimento de propina na Lava Jato

A Polícia Federal cumpriu 22 mandados na manhã desta terça-feira (12), expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Da lista, relacionada à 28ª fase da Operação Lava Jato, apenas três mandados determinavam prisões (uma preventiva e duas temporárias). Um dos detidos foi o ex-senador Gim Argello (PTB-DF).

Afastado de cargos públicos desde o final de 2014, Argello é suspeito de ter recebido propina durante a CPI da Petrobras, durante seu mandato no Senado, que durou entre 2007 e 2014. Mesmo antes disso, porém, o petebista já era nome recorrente em investigações, sem jamais ter sido condenado.

Nascido em São Vicente (SP), Jorge Afonso Argello mudou-se para Taguatinga (DF) ainda jovem. No Distrito Federal, formou-se em direito e passou a trabalhar como corretor de imóveis. Na década de 80, quando vendia carros, tornou-se próximo do então ministro do Interior, Mario Andreazza. A nova amizade valeu um convite para participar da campanha de Andreazza à Presidência da República pelo PSD.

Em 1998, aos 36 anos, Argello elegeu-se deputado distrital pela primeira vez pelo PFL (atual DEM), sendo reeleito em 2002 pelo PMDB. Entre 2001 e 2002, presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Em 2005, filiou-se ao PTB. No ano seguinte, foi eleito suplente na chapa do senador Joaquim Roriz ao Senado. Como Roriz renunciou em julho de 2007, assumiu a cadeira com o apoio do então presidente da casa, José Sarney. Na época, também era investigado pela Operação Aquarela, a mesma que provocou a renúncia de Roriz - o ex-senador abandonou o cargo depois da repercussão de gravação telefônica em que ele discutia a partilha de um cheque de R$ 2,3 milhões.

Dois anos depois, em 2009, reportagem da revista "IstoÉ" apontou que Argello multiplicara seu patrimônio 10 mil vezes em 25 anos, alcançando a casa de R$ 1 bilhão. Na época, ainda segundo a publicação, respondia a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro, crimes contra o patrimônio, apropriação indébita, ocultação de bens, peculato e corrupção passiva.

Articulador do governo

Em 2014, ainda como senador, Gim Argello foi cotado para assumir uma das vagas do Tribunal de Contas da União, sem conseguir a indicação. O nome de Gim Argello tinha respaldo do Palácio do Planalto e de senadores da base aliada como estratégia para aproximar o PTB da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff naquele ano.

À época, segundo a revista "Exame", havia seis inquéritos tramitando com seu nome no STF - era acusado, entre outras coisas, de apresentar emendas parlamentares que beneficiavam instituições fantasmas ou representadas por laranjas. Na ocasião, renunciou ao cargo de relator e se retirou da Comissão Mista de Orçamento.

Em 2014, Gim Argello abdicou de indicação para TCU

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No mesmo ano, concorreu à reeleição ao Senado. Na época, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 4,5 milhões. Acabou derrotado por Reguffe (PDT).

Em 2015, durante investigações da Operação Zelotes, Argello – cujo mandato terminou em 2014 – admitiu ter alterado um projeto de lei a pedido de montadoras. A investigação apurava um pagamento de propina no valor de R$ 15 milhões a Argello, que negou o recebimento do valor.

A alteração seria um pedido da Caoa, que monta veículos Hyundai no Brasil. A empresa sul-coreana havia comprado ações da Kia Motors, que havia adquirido a Asia Motors – esta, com dívidas tributárias junto ao governo federal. O projeto de lei restringia a instalação de fábricas no Brasil, mas, segundo depoimento do próprio Argello, teve a questão alterada a pedido da Caoa, da embaixada sul-coreana e do governo de São Paulo, onde seria instalada a fábrica.

Em maio de 2015, a delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dirigente da UTC Engenharia, citou Gim Argello nas investigações da Lava Jato. E foi por isso que o ex-senador acabou detido nesta terça-feira (12).

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Federal, Pessoa afirmou ter procurado Gim Argello para evitar que fosse convocado para depor em CPIs. Para tal, teria pago R$ 5 milhões ao ex-senador, "o que foi feito usando mecanismos de dissimulação".

O valor teria sido dividido em doações aos diretórios de quatro partidos no DF: DEM (R$ 1,7 milhão), PR (R$ 1 milhão), PMN (R$ 1,15 milhão) e PRTB (R$ 1,15 milhão). Os quatro partidos formaram, ao lado do PTB de Gim Argello, a coligação "União e Força", pela qual Argello foi candidato ao Senado em 2014. Entretanto, segundo o MPF, "não há indício de que tais partidos tenham participado ou tivessem ciência da origem ilícita dos recursos".

O valor foi pago pela UTC entre julho e outubro de 2014, como demonstram documentos da época. Em contrapartida, Ricardo Pessoa não foi chamado para depor na CPI da Petrobras.

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