Ex-ministro Mantega é levado para depor em nova fase de operação da PF

Do UOL, em São Paulo

  • Sergio Lima/Folhapress

    Mantega comandou a Fazenda entre 2006 e 2014, nos governos Lula e Dilma

    Mantega comandou a Fazenda entre 2006 e 2014, nos governos Lula e Dilma

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (9), a sétima fase da Operação Zelotes, que apura suspeitas de manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi um dos alvos de mandado de condução coercitiva (quando o investigado é levado a depor e depois é liberado). Ele comandou o ministério entre 2006 e 2014, nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. 

A Operação Zelotes, deflagrada em março de 2015, investiga casos de empresas que teriam pago propina para se beneficiarem em julgamentos no Carf, órgão que analisa processos milionários da Receita Federal.

 Mantega chegou por volta das 10h à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Ele vai prestar depoimento na Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, no 6º andar do prédio localizado na zona oeste da capital paulista.

O alvo desta etapa da investigação é o grupo Comercial Penha, do empresário Victor Garcia Sandri, amigo de Mantega. A Operação Zelotes cumpre 30 mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva nesta segunda, em São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Santa Catarina e no Distrito Federal.

Segundo as investigações, a empresa subornou o então conselheiro do Carf Valmar Fonseca de Menezes para anular um débito. O Ministério Público Federal sustenta que o ex-ministro nomeou, em junho de 2011, Valmar e o então conselheiro José Ricardo da Silva (já condenado na Zelotes) para a câmara que analisou o caso do seu amigo. Com isso, a Cimento Penha conseguiu abater débito de R$ 106 milhões em julgamento no Carf.

Em e-mails interceptados pela Zelotes, o empresário Victor Sandri menciona o nome de Mantega em conversas com o então conselheiro Valmar. As investigações teriam encontrado pagamento de R$ 15 milhões para empresa de auditoria e consultoria vinculada a Valmar.

Os sigilos bancários e fiscal de Mantega foram quebrados em novembro de 2015 pelo juiz responsável pela Operação Zelotes, Vallisney de Souza Oliveira, a pedido do Ministério Público Federal, que pretende investigar o relacionamento entre o ex-ministro da Fazenda e Sandri.

A defesa do ex-ministro disse que "não há o que recear", sobre o petista ter sido alvo de mandado de condução coercitiva. "Ele não tem nada a esconder", afirmou o criminalista José Roberto Batochio. (Com Estadão Conteúdo)

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