PP e Mesa pressionam por renúncia de Maranhão à presidência da Câmara

Ricardo Marchesan

Do UOL, em Brasília

  • Geraldo Magela/Agência Senado

Em reunião da bancada do PP na Câmara na manhã desta terça-feira (10), os deputados do partido decidiram marcar uma reunião com o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), para tentar convencê-lo, inclusive, de renunciar à presidência da Câmara, cargo que ocupa interinamente desde o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Integrantes da Mesa Diretora também pressionam pela renúncia do deputado.

"É uma possível saída negociada com o próprio parlamentar para que se possa encontrar uma forma, inclusive, uma possibilidade até da própria renúncia se for o caso para o partido substituir o parlamentar em uma nova eleição como prevê o regimento da Casa", disse o líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB).

A bancada do PP quer expulsar Maranhão por ele ter ido contra a posição do partido de apoiar o impeachment, de maneira "reincidente", segundo Ribeiro. O presidente em exercício, que já tinha votado contra o impeachment após seu partido fechar questão a favor, decidiu anular a sessão de votação -e, consequentemente, o impeachment- na Câmara, na última segunda-feira. Mais tarde, Maranhão recuou e revogou essa decisão. Ribeiro disse que a posição de anular o impeachment foi tomada "sem nenhum tipo de consulta ao partido". 

Além disso, a bancada decidiu enviar um pedido à executiva do partido para que trate do processo de expulsão de Maranhão do PP, segundo Ribeiro.

Ribeiro afirma que a tentativa de convencimento é para que a saída de Maranhão seja mais rápida, para o "funcionamento da Casa", já que o processo de expulsão pode demorar. "O processo é um processo mais demorado do ponto de vista prático. O processo de expulsão tem um rito, que passa pelo Conselho de Ética (do partido), é salvaguardado o direito de defesa ao parlamentar", afirmou.

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Maranhão não foi à reunião da bancada. Ele chegou ao Congresso por volta das 9h30 e seguiu direto para a sala da vice-presidência, sem falar com a imprensa. Ele passou a manhã toda lá e seguiu para a sala da presidência da Câmara por volta das 13h20.

Além de Maranhão, outros três deputados do PP votaram contra o impeachment de Dilma: Roberto Brito (BA), Macedo (CE) e Ronaldo Carletto (BA).

A executiva do partido, que deveria se reunir hoje, foi remarcada para amanhã (11), segundo o deputado Júlio Lopes (PP-RJ).

Mesa Diretora também pressiona

Os membros da Mesa Diretora da Câmara se reuniram com Maranhão para pedir a ele que renunciasse.

"Nós pedimos a renúncia dele. Ponderamos com ele, por tudo que aconteceu, que ele renunciasse à condição de primeiro vice-presidente. Mas aí, ele é quem decide", afirmou Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, após a reunião. "A decisão do Maranhão de renunciar, ou não, é dele. Não tem jeito".

Mansur diz que falou a Maranhão como representante dos membros efetivos da mesa, que estariam de acordo com o pedido. A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), terceira suplente da Mesa, estava na reunião e diz que não concordou com o pedido.

Mansur disse que Maranhão se desculpou por ter anulado a sessão de votação do impeachment de Dilma Rousseff, medida que revogou em seguida. "Ele fez uma ponderação inicial se desculpando pelo que fez junto aos componentes da mesa", afirmou Mansur.

Segundo Mansur, se Maranhão renunciar, seria realizada uma nova eleição, que escolheria um novo primeiro vice-presidente dentro do mesmo bloco partidário do qual Maranhão foi eleito. "Consequentemente este primeiro vice-presidente eleito estaria no cargo da presidência interinamente como ele está", afirmou.

Outra possibilidade é Maranhão se afastar do mandato por até 120 dias proposta pela Mesa. Nesse caso, assumiria o segundo vice-presidente, deputado Giacobo (PR-PR), de acordo com Mansur.

Enquanto o PP se reunia, líderes de partidos na Câmara faziam outra reunião, também para tratar de Waldir Maranhão.

Segundo Jovair Arantes (PTB-GO), participaram "mais de dez partidos", mas não chegaram a uma definição nem terminaram a reunião, que deve ser retomada à noite. "Ele (Maranhão) está com a legitimidade absolutamente arranhada", disse. "Os deputados não querem a sua permanência ou não aceitam a sua direção nesse momento, e por essa razão nós temos que achar um ponto de equilíbrio."

Arantes diz que os deputados não podem tirá-lo da presidência, mas que há a discussão para "usar o que o regimento permite". Antes disso, porém, Arantes diz que tentarão o "diálogo" com Maranhão.

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