Processo de impeachment

Após 12 horas de sessão de impeachment, Senado dá sinais de cansaço

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Felipe Amorim/UOL

    Sessão de votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff tem clima de dia normal de trabalho

    Sessão de votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff tem clima de dia normal de trabalho

Passadas mais de 12 horas da sessão que vai votar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), os senadores dão sinais de cansaço e o clima no plenário do Senado poderia ser descrito como de tédio -- não fosse o fato de faltar poucas horas para a votação da medida mais drástica contra o chefe do Executivo. A sessão começou às 10h da manhã desta quarta-feira (11).

Ao contrário da algazarra vista na Câmara dos Deputados com gritos de guerra e cartazes, às 22h no Senado, os discursos, fossem contra ou a favor do impeachment, não pareciam empolgar a maioria dos senadores em plenário, que não ficou cheio todo o tempo, com quase metade das fileiras vazias em alguns momentos, apesar de 75 senadores terem registrado presença na Casa.

Ao ser aprovado na Câmara, a maior parte do mundo político passou a considerar como certa a abertura do processo pelo Senado, embora há quem acredite que a petista possa evitar sua condenação na fase de julgamento pelos senadores.

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) parecia gravar um pronunciamento em vídeo com o próprio celular quando, às 21h51, o senador Reguffe (sem partido-DF) discursava sobre "uma nova forma de fazer política" e pedia pela reforma tributária.

Pouco antes, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) e Paulo Paim (PT-RS) ficaram rapidamente ao telefone, enquanto José Medeiros (PSD-MT) olhava atentamente a tela de seu computador.

O líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), estudava detidamente um texto na hora da fala de Hélio José (PMDB-DF), enquanto Fernando Bezerra (PSB-PE), do outro lado do plenário, se engajava em uma conversa pelo celular e Jorge Viana (PT-AC) gravava uma entrevista para o celular de um assessor.

Pouco antes, lá pelas 20h, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teve que pedir silêncio. Não pela esperada disputa política sobre o impeachment, mas porque a visita de deputados à sessão disparou conversas paralelas no plenário.

Renan dá bronca em deputados e diz que Senado não é feira do passarinho

  •  

"O Senado é uma instituição de 190 anos, nós não vamos transformá-lo em uma feira de passarinhos", afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao passar uma bronca nos colegas da Câmara que falavam em voz alta.

Às 22h15, o senador Armando Monteiro (PTB-PE), com a mesma determinação que o levou a deixar o Ministério do Desenvolvimento para votar contra o impeachment, foi visto acompanhando o terceiro orador em sequência sem perder a atenção. Quando o quarto senador começou a discursar, Monteiro sacou o telefone celular.

Às 22h30, já haviam falado 36 dos 70 senadores inscritos. Se todos os restantes usarem os 15 minutos a que têm direito, serão mais oito horas e meia de debates e a votação que pode determinar o afastamento temporário da presidente seria realizado apenas no início da manhã da quinta-feira.

Se aprovado, Temer assume a Presidência às 11h de quinta

  •  

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos