Justiça afasta prefeito preso citado como exemplo em votação do impeachment

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Reprodução/Facebook/André Senna

    Ruy Muniz foi preso um dia após votação do impeachment na Câmara

    Ruy Muniz foi preso um dia após votação do impeachment na Câmara

Após uma tentativa frustrada de permanecer no cargo, o prefeito de Montes Claros (416 Km de Belo Horizonte), Ruy Muniz (PSB), foi afastado do mandato e proibido de entrar em qualquer prédio, repartição e órgão da prefeitura pela Justiça.

O pedido de afastamento foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) ao Tribunal Regional Federal (TRF) em Brasília.

Muniz ficou conhecido por ter sido preso um dia após sua mulher o ter elogiado na votação do impeachment da agora afastada presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

A decisão foi emitida pela corte na terça-feira (10), após a Câmara de Vereadores do município ter aprovado por ampla maioria a concessão de uma licença médica de 60 dias para o prefeito, que despachava do presídio de Montes Claros, onde está preso.

Muniz recebeu a notificação na quarta-feira (11) no hospital onde permanece internado, após passar mal no presídio. Ele permanece sob escolta policial no hospital.

O vice-prefeito José Vicente Medeiros (PMDB), o Zé Vicente, toma posse nesta segunda-feira (16) em cerimônia na Câmara Municipal.

Prefeito preso foi elogiado na sessão do impeachment

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O voto 303 pelo impeachment de Dilma

O TRF afirmou em sua decisão que a medida foi necessária porque os despachos do prefeito de dentro do presídio "tem gerado forte instabilidade institucional, verdadeiramente prejudicial ao regular funcionamento da coisa pública".

Ruy Muniz foi preso em um hotel Brasília na manhã de 18 de abril, um dia após a mulher e deputada federal, Raquel Muniz (PSD), dizer na votação do impeachment de Dilma que o marido era um "exemplo para o Brasil".

Seu voto foi o de número 303 pela admissão do processo de impeachment.

Muniz é acusado pelo MPF e PF de reter R$ 16 milhões que deveriam ser destinados a unidades de saúde credenciadas pelo SUS (Sistema Única de Saúde) em Montes Claros para beneficiar o Hospital das Clínicas Mário Ribeiro, que pertence ao empresário.

Outro lado

O UOL não conseguiu localizar os advogados do prefeito e a assessoria da deputada Raquel Muniz.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da prefeitura de Montes Claros disse que antes da decisão da Justiça de afastá-lo, "ciente de suas responsabilidades públicas, o prefeito solicitara licença na Câmara de Vereadores, que aprovou o pedido com ampla maioria".

A assessoria ainda confirmou a posse do vice para esta segunda. "A cerimônia será simples e composta por todos os vereadores, familiares e amigos do prefeito."

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