Processo de impeachment

Cunha é o líder do golpe, diz Dilma a jornalista norte-americano

Do UOL, em São Paulo

A presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do site "The Intercept, que "o líder do golpe" não é o presidente interino Michel Temer, mas o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Esse golpe, ele tem um líder. O líder não é o presidente interino, o líder é o presidente da Câmara [Eduardo Cunha], que foi agora afastado. Um pouco atrasado, mas antes tarde do que nunca, como eu disse. Este líder representa um setor conservador, extremamente conservador."

Dilma recebeu o jornalista na última terça-feira (17), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Na tarde desta quinta-feira (19), Greenwald divulgou o vídeo completo da entrevista. Em diversos momentos, ela criticou medidas do governo Michel Temer, a quem chamou de "ilegítimo" e "conservador em todos os aspectos".

A presidente afastada declarou ainda que processo político brasileiro é um dos mais distorcidos do mundo. "Aumenta o número de partidos sistematicamente, e cada vez os governos vão precisando de mais partidos para formar a maioria simples e a maioria de dois terços do parlamento. Você tem de ter uma base de alianças. Quanto maior a base de alianças, menos política e ideologicamente alinhada. Então, você passa a ter de construir alianças muito amplas."

O processo de impeachment no Senado terá a condução do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski. Dilma afirmou esperar que ele dê "um rito mais consistente ao processo". Ela voltou a afirmar que as chamadas pedaladas fiscais não são crime de responsabilidade.

Gilmar Mendes é um militante

Ao ser questionada sobre a suspensão da investigação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no âmbito da Operação lava Jato, Dilma disse considerar a decisão "estranha" e classificou de "efetivamente militante" a atuação do ministro do STF Gilmar Mendes, responsável pelo caso. Neste momento da entrevista, a presidente afastada errou o número de integrantes da Suprema Corte brasileira: disse que eram 12 quando, na verdade, são 11.

"Esses doze integrantes, nem todos têm a mesma posição um tanto quanto efetivamente militante, visivelmente militante, eu diria, do ministro Gilmar Mendes. Ele está tomando atitudes que vão ser avaliadas ao longo do tempo por todos os brasileiros", declarou.

Em outro trecho da entrevista, Dilma declara que teme corte em programas sociais e a população vai se mobilizar contra medidas do governo Temer. "Você terá lutas concretas. As pessoas vão ter que se mobilizar das mais variadas formas. Se você chamar de desobediência civil manifestações, eu diria que sim, seria uma desobediência civil. Agora, depende do que você define como."

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