Operação Lava Jato

"Não tenho restrição alguma à Lava Jato", diz novo ministro da Transparência

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Aureliza Corrêa/D.A Press

    O ex-ministro do TSE Torquato Jardim será o novo ministro da Transparência de Temer

    O ex-ministro do TSE Torquato Jardim será o novo ministro da Transparência de Temer

Novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle (antiga Controladoria-Geral da União), o advogado e ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Torquato Jardim disse ver a Operação Lava Jato como uma "oportunidade única" para combater a corrupção no país e declarou não ter "restrição alguma" às investigações conduzidas pela força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal).

O nome de Torquato foi anunciado pelo Palácio do Planalto na manhã desta quarta-feira (1º), dois dias após a saída do antecessor, Fabiano Silveira, que foi pressionado a pedir demissão pela divulgação de um áudio no qual ele orienta o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre "providências e ações" contra a Lava Jato.

"[A operação] é uma oportunidade única para combater a corrupção no Brasil. Eu não tenho restrição alguma", declarou Jardim ao UOL, por telefone, no início da tarde. Questionado sobre as declarações de Silveira, o jurista disse que, "como toda operação complexa, há os que são a favor e há os que são contra", esquivando-se de citar nominalmente o antecessor. Ele tomará posse como ministro nesta quinta (2).

A gravação que derrubou o agora ex-ministro, feita em 24 de fevereiro deste ano, ocorreu na residência oficial do Senado, e foi veiculada no programa "Fantástico", da TV Globo, no domingo (29). Silveira, na época da gravação, atuava no CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Desde a revelação da gravação, o ministério tem sido alvo de protestos de servidores. Nesta tarde, está prevista uma passeata contra o fim da CGU em Brasília.

Leandro Prazeres - 30.mai.2016/UOL
Funcionários do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle fazem manifestação em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília

Sobre integrar um ministério que tem entre seus titulares dois citados pela Lava Jato --Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, e Henrique Eduardo Alves, do Turismo--, Torquato se limitou a dizer que trata-se de "uma opção política do presidente [interino] da República [Michel Temer], que não atrapalha em nada o trabalho do Ministério Público".

Também nesta quarta, Temer declarou, em discurso realizado no Palácio do Planalto, que "ninguém vai interferir na chamada Lava Jato". "Toda hora leio uma ou outra notícia que o objetivo é derrubar a Lava Jato. Por isso que eu tomo a liberdade, sem nenhum deboche, de dizer pela enésima vez que não haverá a menor possibilidade de qualquer interferência do Executivo nessa matéria", disse o presidente interino.

"Desafio interessante"

Atuando exclusivamente como advogado e consultor nas áreas de direito constitucional e eleitoral, esta considerada a sua maior especialidade, desde que deixou o TSE há 20 anos, em 1996, Torquato Jardim classificou como um "desafio profissional interessante" o novo emprego.

O convite do presidente interino Michel Temer, foi, para ele, um fato natural. "Nos conhecemos há 35 anos e já trabalhamos juntos várias vezes", contou.

O novo ministro afirmou que nunca atuou em causas ligadas à Lava Jato e que, há dois anos, atuava exclusivamente no próprio escritório, o "Torquato Jardim - Advogados Associados". Ele também foi consultor de outros escritórios.

Sobre o que vai acontecer com o escritório, disse se tratar de um assunto pessoal, que está sendo conversado. "Eu fico impedido de atuar como advogado, mas os meus sócios não", declarou.

Carioca, o jurista de 66 anos não vai precisar se mudar de cidade para assumir o ministério. "Já moro em Brasília há 45 anos".

"Pela enésima vez, não haverá interferência na Lava Jato", diz Temer

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