Deputados que defendem Cunha elogiam impeachment; opositores citam trust

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

A reunião do Conselho de Ética que deveria votar o pedido de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta terça-feira (7) deixou claro que o debate entre os deputados já apresenta dois lados com posições definidas.

A votação do relatório foi adiada para esta quarta-feira (8), quando é esperado um placar apertado. Deputados projetam que 11 votos a 9 a favor de Cunha ou uma votação de 11 x 10 pela cassação do peemedebista. Este último cenário contaria com o voto de desempate do presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA).

Na reunião de hoje, enquanto aliados do peemedebista defendem que não há provas contra ele e elogiaram o deputado por ter aberto o processo de impeachment contra a presidente afastada, Dilma Rousseff, seus opositores reforçam a omissão das supostas contas, ou trusts, na Suíça e o pedido de prisão contra Cunha feito pela Procuradoria-Geral da República.

Aliados de Cunha também acusaram a revelação do pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República de ser uma tentativa de pressionar o conselho pela cassação do deputado.

"Eu não vi nenhuma interferência de Cunha nos trabalhos aqui da casa. É muita coincidência logo no dia de hoje pedir a prisão de Eduardo Cunha. Então é preocupação nossa que isso venha interferir no resultado", afirmou Laerte Bessa (PR-DF).

O deputado do PR também elogiou Cunha por ele ter dado início, como presidente da Câmara, ao processo de impeachment contra Dilma. "Por si só Cunha teria meu voto, porque Cunha encaminhou o impeachment da maior estelionatária que o país já teve. Cunha fez um grande favor à sociedade. Só por isso eu votaria nele, sabendo que talvez ele possa ser condenado no Supremo [Tribunal Federal]", disse Bessa.

Carlos Marun (PMDB-MS) defendeu punição mais branda que a cassação. "Então eu defendo que haja uma punição para essa omissão deliberada [das contas na Suíça]. Mas que para o caso a punição não é a cassação. Cassação deve acontecer no STF [Supremo Tribunal Federal] depois que provas foram efetivamente colocadas", disse. Uma punição mais branda também foi defendida por João Carlos Bacelar (PR-BA).

Aliado de Cunha pede para trocar cassação por suspensão de mandato

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Sérgio Moraes (PTB-RS) afirmou que não há provas suficientes para a cassação. "Aqui nós não temos nada. Nós temos barulho, manchetes. Não sou a favor nem contra [Cunha], sou homem suficiente para dizer a verdade, não me interessa o que vão me dizer nas ruas", afirmou.

Votos pró-cassação citam conta na Suíça

Deputados que defendem a cassação reforçaram a acusação de que Cunha movimentou milhões em contas não declaradas no exterior.

"Chegamos ao final com a conclusão muito clara de que Cunha possui recursos no exterior, faz uso desses recursos e não conseguiu comprovar a origem desses milhões depositados no exterior, dos quais ele fez uso para sua família nesse período", afirmou Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS). "Essa Casa não possui outro caminho que não seja a perda do mandato de Eduardo Cunha", disse.

"Espero que esta seja a última sessão. Porque não tem mais margem de manobra e não tem como a maioria dos membros desse Conselho não aprovar este relatório que pede a cassação", disse Zé Geraldo (PT-PA). "E não é só o presidente Eduardo Cunha ter mentido, ter depositado dinheiro em contas fora do Brasil, que poucos brasileiros até conheciam. Eu nunca nem tinha ouvido falar, aliás nem aprendi a falar direito: trust", disse Geraldo.

Betinho Gomes (PSDB-PE) afirmou não ver possibilidade para que a comissão absolva Cunha. "Não existe justificativa plausível para que esse Conselho de Ética não se manifeste favoravelmente ao pedido de cassação de Eduardo Cunha. Eduardo Cunha mentiu e mentiu a esta Casa, deve ser julgado por isso e também pelo conjunto da obra", afirmou.

Eduardo Cunha nega conta na Suíça e diz que tem trust

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