Processo de impeachment

Senadores de comissão do impeachment ignoram prisão de ex-ministro petista

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Raphael Ribeiro/Estadão Conteúdo

    Comissão Especial do Impeachment no Senado ouve mais duas testemunhas de defesa da presidente afastada

    Comissão Especial do Impeachment no Senado ouve mais duas testemunhas de defesa da presidente afastada

A prisão do petista Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e das Comunicações dos governos Lula e Dilma Rousseff, foi ignorada durante a sessão desta quinta-feira (23) da comissão que julga o impeachment da presidente afastada no Senado.

Diferentemente de reuniões anteriores, quando menções a fatos alheios ao processo frequentemente provocaram intensas discussões entre senadores pró e contra o afastamento de Dilma, as conversas sobre a ocorrência da manhã desta quinta ficaram restritas aos corredores do Congresso.

O ex-ministro é marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), uma das mais ativas integrantes do colegiado. Ela não compareceu a nenhuma reunião da comissão nesta semana por estar em um encontro do Mercosul --a petista faz parte da comissão de assuntos econômicos do parlamento do bloco. Gleisi também não compareceu à sessão desta quinta.

Na opinião de um integrante da comissão, os opositores de Dilma sabem que, se atacarem, os defensores de Dilma "também vão partir para a pancadaria", lembrando da revelação, nesta quinta, de um vídeo que compromete o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2010.

Pedro Ladeira/Folhapress
O ex-ministro Paulo Bernardo (sem óculos) é visto dentro de viatura da PF deixando o apartamento funcional da esposa, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em Brasília, após ser preso em operação da polícia

O parlamentar também disse entender que há na comissão um certo respeito pela situação de Gleisi, que presenciou a prisão do marido ao lado dos filhos. Ainda segundo o senador, existe um "sentimento geral de consternação com relação ao que a Justiça está fazendo com os políticos".

O assessor de um senador pró-impeachment confirmou que o parlamentar não usaria do seu tempo de fala para perguntas na comissão para citar a prisão de Paulo Bernardo.

A única menção ao episódio foi feita de forma indireta pela advogada de acusação Janaína Paschoal, que é uma das denunciantes do impeachment.

"Todo santo dia tem um escândalo envolvendo o partido da presidente, isso não se pode negar", declarou a advogada durante questionamento à primeira testemunha de defesa, o subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Lozi da Rocha.

O ex-ministro foi preso no âmbito da Operação Custo Brasil, que é um desdobramento da fase Pixuleco 2 da Operação Lava Jato, de agosto de 2015. Além da PF, a ação é comandada pelo Ministério Público Federal e a Receita Federal.

Paulo Bernardo ocupou as pastas do Planejamento, entre 2005 e 2011, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e das Comunicações, entre 2011 e 2015, na gestão da presidente Dilma.

Testemunha dispensada

O clima da sessão foi tão tranquilo que a segunda testemunha convocada a falar, pela defesa de Dilma, foi dispensada sem contestação pelos integrantes da comissão.

O pedido para liberar o diretor da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Planejamento e Orçamento, Leandro Freitas Couto apresentado pelo relator do colegiado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), logo após o primeiro depoimento. O senador justificou a medida lembrando ter solicitado a dispensa de outro depoente ligado a entidades de classe anterioramente, arroladas pelo juízo.

Advogado de Dilma, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo lembrou que a entidade dirigida por Couto já se manifestou, em nota, pela legalidade dos atos da presidente afastada, e leu um trecho do documento. Em seguida, disse concordar com a dispensa, que logo foi aprovada pelo colegiado.

Última depoente do dia, a ex-secretária de Orçamento Federal, Esther Dweck, começou a falar por volta das 13h. Inicialmente convocada pelo senador José Medeiros (PSD-MT), que defende o impeachment, ela chegou a ser dispensada pelo colegiado no último dia 13, provocando revolta entre aliados de Dilma. Cardozo resolveu então incluí-la no rol de testemunhas de defesa.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos