Polícia intima lideranças anti-Temer no mesmo dia dos protestos em SC

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Gabriel Schlickmann/Mafalda Press/Estadão Conteúdo

    Manifestantes realizam ato contra o governo de Michel Temer no centro de Florianópolis (SC) no sábado (3)

    Manifestantes realizam ato contra o governo de Michel Temer no centro de Florianópolis (SC) no sábado (3)

Sete lideranças da Rede Fora Temer foram intimadas a depor em Florianópolis na tarde desta terça-feira (6), no mesmo dia em que foi convocado um protesto contra o governo Michel Temer e por eleições diretas. As intimações são coercitivas, ou seja, se os depoentes não comparecessem seriam presos.

Para a advogada Daniela Felix, da Frente de Juristas, o objetivo da polícia é enfraquecer o ato. Eles foram intimados para as 15h30, mas até as 19h, 60 minutos depois do horário marcado para as manifestações, os líderes não tinham sido liberados pela polícia.

"É um abuso de poder intimar pessoas sem quaisquer justificativas nesse dia", afirma a advogado.

A delegacia escolhida para os depoimentos fica em Ingleses, no Norte da Ilha, a 31,7 km de distância do local das manifestações. Nenhum dos intimados mora no bairro.

A Polícia Civil não informou a razão dos depoimentos. O delegado responsável, Alexandre Carraro não atendeu às ligações da reportagem. Já a Secretaria de Segurança Pública informou que se trata de um inquérito policial que apura atos de vandalismo na cidade. Mas, não explicou porque convocou as lideranças no mesmo dia em que haverá protestos.

Tuna Arozi/Mafalda Press/Estadão Conteúdo
Lixo é queimado durante ato contra o governo de Michel Temer no Largo da Alfândega, centro de Florianópolis (SC)
Esse é o terceiro protesto desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na última sexta-feira, a capital catarinense foi palco de um grande ato, quando mais de 20 mil pessoas foram às ruas. No final do protesto, houve confronto entre a Polícia Militar e manifestantes que terminou com feridos de ambos os lados, além de lixeiras queimadas e vidros quebrados.

Para esta terça, os organizadores já tinham contabilizado 40 mil pessoas, confirmando presença pelas redes sociais.

O Movimento Passe Livre divulgou nas redes sociais uma carta de repúdio afirmando que a polícia faz terrorismo psicológico com as lideranças sociais. "Agrava-se o fato de que, não por mera coincidência, esta intimação impõe comparecimento às 15h30, na Delegacia de Policia de Ingleses, onde não reside nenhum dos intimados, inviabilizando suas participações no ato Ocupa Beira Mar", dizia o texto.

Um dos intimados é Maurício Conti, ativista da Juventude do PT (Partido dos Trabalhadores). Ele contou que foi agredido na última manifestação pela PM. "E que as ações – até então pacíficas- tiveram um desfecho violento pela imaturidade do comando militar". Até o fechamento da matéria, às 18h, Maurício continuava detido na Delegacia de Ingleses. A Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou sobre o caso de Maurício. 

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