Quem quer uma Polo Ralph Lauren como a do Doria?

André Carvalho e Marcela Sevilla

Do UOL, em São Paulo

"Algum dia, quem sabe, todos os brasileiros vão poder usar Polo Ralph Lauren". Foi assim que o prefeito eleito de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB), rebateu o questionamento de jornalistas a respeito de sua imagem, durante evento realizado em São Paulo no último sábado (8).

Na mesma ocasião, disse ter "incorporado" o apelido de coxinha. "Em vez de combater, eu assumi", afirmou o empresário, que declarou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio de quase R$ 180 milhões.

A reportagem do UOL foi saber o que os paulistanos da rua 25 de Março, meca do mercado informal em São Paulo, acharam da declaração e, mais, saber se aumentaram as vendas da Polo Ralph Lauren após a vitória do tucano. 

Já foi o tempo

Na região do comércio popular, alguns comerciantes e consumidores não gostaram da declaração de Doria, já que os produtos da marca são caros e pouco acessíveis. Principalmente em tempos de crise.

Reprodução
Fernando Viana compra réplica de camisa Polo Ralph Lauren no mercado popular

Outros concordam que seria bom se os brasileiros tivessem como comprar uma Polo Ralph Lauren original. Enquanto esse dia não chega, muitos deles se viram mesmo com a "réplica" que é vendida pelos camelôs.

O baiano Gilberto, 33, acha "até que boa" a declaração de Doria. Mas ressalta: "Ele só falou, se fosse para realizar e dar uma [camisa] polo para cada um, todo mundo ia querer, né?".

O Doria está desatualizado. Já foi a época da Polo [Ralph Lauren]. Dois anos atrás, a gente até podia falar que vendia bem. Hoje em dia, não Paulo Barbosa, 21, vendedor há 3 anos na 25 de Março

Para Barbosa, a declaração do prefeito eleito foi infeliz: "Como você vai pagar R$ 250 em uma camisa polo? Quem tem condição com essa crise toda? Nunca que eu ia gastar R$ 250 em uma camiseta. Prefiro juntar dinheiro para comprar alguma coisa para o meu filho".

O empresário Marcelo de Souza, 47, acha que o "estímulo" de Doria em meio à crise econômica "vai dar força à [rua] 25 de Março. Vai estimular o comércio informal". Mesma opinião tem a analista comercial Izabela Juncioni, 28: "Aqui na [rua] 25 [de Março], todo mundo pode ter uma [camisa] polo".

Vendedora há 40 anos, Socorro do Nascimento, 59, afirma ter votado em João Doria, mas não gostou do que ele disse. "Eu acho que o pessoal está precisando mais é de emprego, de comida, não de roupa de luxo. Ele tem que dar para o povo é emprego. Pobre precisa disso, de nome limpo, saúde, educação, dignidade. Entendeu, João Doria?"

Houve também quem gostasse. "O prefeito [eleito] foi bem na declaração. Todo mundo gosta de uma [camisa] polo. Se todo mundo vestisse, seria muito melhor, porque polo cai bem em qualquer ocasião. Seria ótimo", disse o funcionário público Luciano Chagas, de 41 anos.

Eduardo Anizelli/Folhapress

"A jaqueta do Doria já esgotou aqui"

No shopping Iguatemi, a loja oficial da Polo Ralph Lauren recebe um público bem diferente daquele que frequenta a rua 25 de Março. São consumidores dispostos a pagar um alto valor para ostentar o famoso cavalinho no peito. Para se ter uma ideia, a jaqueta de nylon bastante usada por Doria em campanha sai por R$ 950. Um conjunto de calça, camisa e moletom exposto na vitrine custa R$ 1.970.

A reportagem do UOL também esteve em uma das lojas oficiais da marca --em São Paulo, há apenas duas unidades. Questionado se as vendas haviam aumentado com a "propaganda" do prefeito eleito, um vendedor, que não se identificou, foi sucinto: "A jaqueta de nylon do Doria praticamente esgotou nesta semana".

Para o vendedor, os consumidores da marca admiram o tucano. "Olha só, para não falar que vendemos todas as jaquetas do modelo que ele usa, sobrou esta, de tamanho P."

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