Operação Lava Jato

Maia diz que delatores mentiram por "vingança" e chama operação de "pirotécnica"

Do UOL, em São Paulo

  • Ailton de Freitas/Agência O Globo - 29.abr.2013

    A PF cumpriu hoje mandado de busca e apreensão na casa do deputado federal e ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS), em Canoas (RS)

    A PF cumpriu hoje mandado de busca e apreensão na casa do deputado federal e ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS), em Canoas (RS)

O deputado federal Marco Maia (PT-RS) classificou a ação realizada nesta segunda-feira (5) pela PF (Polícia Federal) como "pirotécnica" e afirmou que os delatores da Operação Lava Jato que mencionaram seu nome mentiram por vingança.

A PF cumpriu pela manhã --a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e com autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki-- nove mandados de busca e apreensão, sendo um deles na casa do parlamentar em Canoas (RS). 

Maia foi ex-presidente da Câmara entre 2010 e 2013 e relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da Petrobras, instalada em 2014.

Em um pronunciamento feito ao vivo, na tarde de hoje, em seu perfil no Facebook, Maia disse estar indignado com a ação e afirmou que discorda do "método de buscar informações do MPF junto com a PF e autorizado pelo STF".

"Nós não podemos permitir que esse tipo de procedimento continue acontecendo no nosso país, onde se fazem ações pirotécnicas que não estão previstas no processo legal e que acabam criando constrangimentos para familiares, amigos e parlamentares que vivem da sua imagem", declarou.

A força-tarefa da Lava Jato investiga a suspeita de que parlamentares pediam propina a empreiteiros para que eles não fossem convocados a prestar depoimento na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da Petrobras, instalada em 2014. Em delação premiada, os executivos apontaram repasses de mais de R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir para campanhas eleitorais.

Maia criticou o fato de ainda não ter sido convocado para prestar esclarecimentos. "Neste inquérito, que foi aberto desde maio, eu ainda não fui chamado, não fui ouvido, não tive a oportunidade de contestar as denúncias que foram feitas por delatores".

CPMI da Petrobras

Durante sua fala pelas redes sociais, o deputado federal mostrou o relatório da CPMI, de mais de 900 páginas, de sua autoria. Ele lembrou que a comissão indiciou 53 pessoas e indicou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que investigasse 20 empresas por formação de cartel.

Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados - 16.jul.2014
A CPMI da Petrobras teve o ministro do TCU Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) como presidente (à esquerda) e o deputado federal Marco Maia (PT-RS) como relator

Segundo Maia, das dez pessoas que prestaram depoimento no processo que o investiga, "apenas uma cita o meu nome e atribui a mim a acusação de ter recebido propina para proteger empreiteiros na CPMI da Petrobras".

"Esse delator foi indiciado por mim na CPMI e tem esse comportamento por vingança. Eu não conheço esse cidadão, nunca estive com ele, nunca tive nenhum contato chamado Júlio Camargo [ex-consultor da Toyo Setal] Esse cidadão, em seu depoimento, mente descaradamente, dizendo que esteve comigo em um determinado dia em Brasília, numa casa no lago Sul, de propriedade de uma irmã minha. Isso por si só é um absurdo porque não tenho propriedades no lago Sul e porque não tenho nem irmã". 

O deputado também se defende das acusações feitas pelo ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS). "Esse senador é um grande mentiroso; trouxe meu nome eivado de mágoas porque a CPMI foi a primeira a produzir o indiciamento do seu protegido, o ex-diretor [da área internacional da Petrobras] Nestor Cerveró".

Operação Deflexão

A operação da PF realizada hoje é um desdobramento da Lava Jato e foi batizada de "Deflexão", em referência ao verbo defletir, que significa provocar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo.

Além de Marco Maia, a ação também teve como alvo o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), que exerceu mandato de senador até dezembro de 2014.

Rêgo Filho presidiu a CPMI da Petrobras e também foi acusado por delatores de receber propina para para não envolver alguns empreiteiros nas investigações.

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