PT cobra solidariedade de militância contra "perseguição infame" a Lula

Janaina Garcia e Rafael Moro Martins

Do UOL, em Curitiba

  • Janaina Garcia/UOL

    A líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann, na saída do hotel em Curitiba onde a executiva do PT se reuniu

    A líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann, na saída do hotel em Curitiba onde a executiva do PT se reuniu

Líderes nacionais do PT cobraram nesta terça-feira (9), em Curitiba, que a militância do partido manifeste "solidariedade" ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o que chamam de "perseguição política infame" a ele por parte da Justiça. Após reunião da Executiva nacional, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, declarou que Lula "está sendo perseguido há anos e julgado sem nenhum tipo de prova".

O encontro foi realizado na véspera do interrogatório de Lula pelo juiz da 13ª Vara Federal do Paraná, Sergio Moro, no processo da operação Lava Jato em que o petista é acusado de receber um triplex no Guarujá (SP), da empreiteira OAS, por contratos firmados da empresa com a Petrobras. O interrogatório está marcado para as 14h e mobilizou todo um esquema de segurança que limitará o acesso da população às imediações do fórum.

Da reunião, realizada a pretexto de organização para o congresso nacional do PT, em junho, a executiva lançou duas notas: uma contra medidas do governo do presidente Michel Temer (PMDB), sem menção explícita à agenda de Lula amanhã na capital paranaense, e outra, em defesa aberta do ex-presidente --direcionada aos movimentos populares e sindicais "em defesa da democracia e da Justiça". Nesta última, o partido avalia que, "nos últimos três anos, o ex-presidente Lula sofreu uma verdadeira devassa em sua vida pessoal, com acusações de todos os tipos, sem que qualquer prova tenha sido apresentada contra ele".

"Isso caracteriza uma perseguição própria de um estado de exceção, em que são suprimidas garantias e direitos individuais previstos", define o documento (leia íntegra ao final deste texto).

"[Na reunião] Emitimos uma nota conclamando nosso pessoal a se contrapor a medidas nefastas do governo usurpador [de Michel Temer] e uma saudação às pessoas que vêm em defesa da democracia e da justiça", disse Falcão à saída do encontro, realizado em um hotel no centro de Curitiba.

"Estamos [em Curitiba] participando de um evento organizado por sindicatos e pela Frente Brasil Popular. Viemos trazer nosso apoio, em defesa do presidente Lula, que está sendo perseguido há anos, sendo julgado sem nenhum tipo de prova, e agora com mais essa arbitrariedade que é enviar cerca de 100 mil páginas de documentos que haviam sido requisitadas já em outubro", afirmou.

Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a expectativa dos petistas para amanhã "é positiva".

"Não tem uma prova contra Lula, e o dia de amanhã será importantíssimo para mostrar ao país a perseguição infame contra Lula". Na avaliação do senador, o processo foi "politizado" pelo juiz federal Sergio Moro especialmente quando o magistrado se dirigiu a parte da militância sobre os cuidados no dia de amanhã –no caso, a militância pró-Lava Jato.

Líder do PT no Senado, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que o ato da militância e dos petistas presentes a Curitiba é uma "demonstração não só de apoio ao presidente Lula". "Não podemos conceber que um processo judicial se dê à margem do estado democrático de direito, do devido processo legal. O que temos visto, desde o início, é uma carga de politização muito grande, de espetacularização" avaliou. "Lula não tem conta no exterior, não tem enriquecimento ilícito, não mandou dinheiro para paraísos fiscais. Por que isso contra o Lula? Por que ele tem que ser o foco disso? Nem Aécio nem Eduardo Cunha mereceram PowerPoint? É politizado, sim, gostem de ouvir ou não", reclamou, referindo-se à apresentação da denúncia, ano passado, pelo Ministério Público do Paraná. As acusações contra o ex-presidente foram apresentadas pela força-tarefa da operação no formato PowerPoint e renderam uma série de memes nas redes sociais.

Cartas da executiva

Duas notas foram publicadas pela Comissão Executiva nacional do PT nesta terça-feira, após a reunião em Curitiba. A primeira tem como foco as propostas de reformas trabalhista e da Previdência defendidas pelo governo de Michel Temer. A segunda conclama a militância a defender Lula.

Leia a íntegra dos dois documentos.


17h27

Conclamamos nossos vereadores (as), prefeitos (as), parlamentares estaduais, federais e os diretórios petistas a tomarem iniciativas, junto com as entidades do movimento popular e sindical, para organizarem atos, manifestações e todo tipo de mobilização para impedir o retrocesso.

Fora Temer!

Nenhum Direito a menos!

Diretas Já!

Curitiba, 09 de maio de 2017

*

17h27

A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, reunida em Curitiba, saúda os movimentos populares e sindicais, a Frente Brasil Popular, e a militância que se dirige à capital paranaense em defesa da democracia e da Justiça.

Nos últimos três anos, o ex-presidente Lula sofreu uma verdadeira devassa em sua vida pessoal, com acusações de todos os tipos, sem que qualquer prova tenha sido apresentada contra ele. Isso caracteriza uma perseguição própria de um estado de exceção, em que são suprimidas garantias e direitos individuais previstos na Constituição brasileira e em tratados internacionais.

O povo brasileiro assiste indignado e atônito ao processo de criminalização da política e desmonte de políticas públicas e direitos conquistados pela população brasileira ao longo dos últimos 50 anos.

Conclamamos a sociedade a continuar mobilizada para que possamos restabelecer a ordem democrática e impedir os retrocessos das políticas sociais.

Defender Lula é defender a democracia e os direitos do povo brasileiro.

Curitiba, 9 de maio de 2017

 

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