Com a sexta maior bancada do Congresso, PSB rompe com Temer e pede renúncia

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Gustavo Maia/UOL

    Integrantes da Executiva Nacional do PSB reunidos em Brasília

    Integrantes da Executiva Nacional do PSB reunidos em Brasília

No terceiro dia da crise política causada pela delação premiada de executivos da JBS, que levou à abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer (PMDB), o PSB (Partido Socialista Brasileiro), decidiu romper oficialmente com o governo federal, "sugerir" a renúncia do peemedebista "o mais rápido possível" e referendar pedido de impeachment contra ele. 

Com 42 parlamentares, o partido tem a sexta maior bancada das duas Casas do Congresso, e representa 7% dos votos no Legislativo. A legenda é a quarta maior em número de senadores (sete), empatado com o PP. Na Câmara, a sigla é a sétima mais representada, com 35 deputados federais. É ainda o partido do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho (PE).

A resolução foi divulgada depois de reunião convocada às pressas da Executiva Nacional da legenda, na tarde deste sábado (20), em Brasília.

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Na nota redigida durante o encontro, o partido afirma que "a imensa tensão entre a urgência que aflige a população, em busca de melhoria de suas condições de vida, e a incerteza quanto à demora e resultados do julgamento que atingirá o presidente da República --que não podem ser dissipados a curto prazo--  lhe toma de forma irremediável as rédeas da governabilidade, fenômeno cuja natureza é estritamente política".

Entre pontos abordados no documento, o PSB defende que Temer apresente sua renúncia "como forma de acelerar a solução da crise de governabilidade, já instalada".

"Em não ocorrendo a renúncia --que é ato personalíssimo--,  ou apresentando-se qualquer circunstância que interrompa seu mandato, pautar-se em sua atuação política, seja no parlamento, seja junto à sociedade civil, segundo o mais estrito respeito à Constituição Federal, sempre com o propósito de reconstruir uma nova governabilidade, em diálogo com as demais forças políticas e sociedade civil".

O partido ressaltou ainda que apoia a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que preveria eleição direta caso Temer deixe a Presidência da República. De autoria do deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ), a proposta está em tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.

"O povo precisa entrar em cena porque a crise é muito grande e não é só do presidente, é de todo o sistema político que precisa ser renovado no processo eleitoral", declarou o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Na quinta, a sigla assinou um pedido de impeachment contra Temer, em conjunto com outros cinco partidos de oposição. Em menos de 24 horas, o presidente foi alvo de outros sete requerimentos semelhantes protocolados na Câmara dos Deputados.

Permanência do ministro

No encontro, os dirigentes também discutiram a permanência de Coelho Filho na Esplanada dos Ministérios, mas decidiram não incluir na nota que providências seriam tomadas pelo partido caso ele não deixe a pasta, como defenderam alguns dirigentes.

Na quinta (18), dia seguinte à divulgação das primeiras informações sobre a delação, pelo jornal "O Globo", Siqueira já havia divulgado nota pedindo que o ministro entregasse o cargo voltasse a exercer o mandato na Câmara pelo partido.

Segundo Siqueira, a sigla não pode "admitir" que um de seus membros faça parte de um governo "antipopular que perdeu, por inteiro, sua legitimidade para governar o Brasil". Ele ressaltou, porém, que a indicação de Coelho Filho para o ministério "jamais" foi feita pela direção nacional da sigla.

Deputado federal licenciado, eleito para o seu terceiro mandato em 2014, Coelho Filho foi procurado pela reportagem do UOL, mas não respondeu até o momento. Seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que é vice-presidente de relações parlamentares do partido, não compareceu à reunião e também não foi encontrado pela reportagem.

Ao deixar a reunião neste sábado, o deputado Julio Delgado (PSB-MG), que é secretário especial do partido, afirmou que o ministro "talvez seja até implicado a pedir licença do partido para continuar exercendo [o comando do ministério]".

"Talvez ele queira ficar no navio tocando o violino do Titanic. Essa é uma opção dele", ironizou Delgado.

Antes do PSB, o Podemos (ex-PTN) e o PPS já haviam anunciado o rompimento com o Planalto. O agora ex-ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS-SP) se demitiu por conta da repercussão das revelações.

Nesta sexta (19), no entanto, ele reassumiu a presidência nacional do partido e afirmou que a legenda vai continuar apoiando o governo, apesar de dizer que sua demissão foi "inevitável".

As dez maiores bancadas no Congresso:

  • PMDB - 85 (Senadores 22 + Deputados 63)
  • PT - 67 (9 + 58)
  • PSDB - 58 (11 + 47)
  • PP - 54 (7 + 47)
  • PR - 43 (4 + 39)
  • PSB - 42 (7 + 35)
  • PSD - 42 (5 + 37)
  • DEM - 33 (4 + 29)
  • PDT - 21 (2 + 19)
  • PTB - 19 (2 + 17)

No total, são 81 senadores e 513 deputados.

PSB x Governo

A relação conflituosa dos socialistas com o governo Temer não começou com a revelação da delação da JBS. Em dezembro do ano passado, o presidente do PSB gaúcho, o ex-deputado federal Beto Albuquerque, defendeu que a sigla deixasse a base aliada e entregasse todos os cargos no governo, incluindo o Ministério de Minas e Energia.

Em abril deste ano, a Executivo do PSB fechou questão contra as reformas da Previdência e trabalhista, duas das principais propostas do Planalto.

Na sessão plenária que aprovou o projeto que altera leis trabalhistas na Câmara, no entanto, 14 dos 30 deputados do PSB que estavam presentes votaram a favor da reforma –e continuaram na sigla.

 

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