Operação Lava Jato

Ex-executivos da OAS e da Petrobras apontam licitação fraudada e propina para PT

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Léo Pinheiro quando depôs a Moro em abril

    Léo Pinheiro quando depôs a Moro em abril

O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, o ex-diretor da área de petróleo e gás da empresa, Agenor Medeiros, e o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, relataram em depoimento ao juiz Sergio Moro nesta quarta-feira (21) uma série de fraudes e propinas milionárias ligadas às obras do novo Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), no Rio, que custaram mais de R$ 1 bilhão.

Pinheiro, Medeiros e Duque pediram para depor novamente no processo, decorrente das investigações da Operação Lava Jato. Os três são réus na ação penal. Segundo a denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato, do MPF (Ministério Público Federal), foi negociada uma propina de R$ 10 milhões para o PT e mais R$ 10 milhões para Duque e o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco.

Pinheiro, Medeiros e Duque acusaram o ex-deputado federal Paulo Ferreira (PT-RS), que foi tesoureiro do PT e é réu na ação sobre o novo Cenpes, de ser a pessoa que cuidou do dinheiro desviado para o partido.

Ferreira também pediu para ser ouvido por Moro de novo no processo, e sua audiência foi marcada para 19 de julho. Ele já admitiu que o PT recebeu recursos ilegais para suas campanhas. 

Em junho, ele foi preso na operação Custo Brasil e foi alvo de novo mandado de Moro na Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, que teve como foco justamente irregularidades no novo Cenpes. Moro autorizou sua soltura em fevereiro mediante pagamento de fiança de R$ 200 mil.

Além de acusar Ferreira, Renato Duque admitiu que ganhava propinas milionárias de grandes obras da OAS com a Petrobras, mas disse que não recebeu o dinheiro correspondente ao contrato do novo Cenpes.

Divulgação - 5.mai.2017/Justiça Federal do Paraná
Renato Duque durante depoimento a Moro em maio

Fraude em licitação

Os ex-executivos da OAS também confirmaram trechos da denúncia da força-tarefa da Lava Jato, segundo a qual as empresas do consórcio Novo Cenpes, liderado pela OAS, e outras empreiteiras com negócios na Petrobras aceitaram pagar R$ 18 milhões à construtora WTorre para que esta retirasse sua proposta --até então a melhor.

Segundo Léo Pinheiro, a parte que cabia à OAS foi repassada à WTorre por meio de um contrato fictício ligado às obras do Rodoanel Sul, em São Paulo. Já Agenor Medeiros relatou que até mesmo empresas que não estavam disputando o contrato do novo Cenpes dividiram a propina à WTorre como parte de um acerto maior para que a construtora também não participasse de outras licitações da Petrobras. No total, segundo Medeiros, oito empresas dividiram o pagamento dos R$ 18 milhões.

No ano passado, em depoimento à Polícia Federal, o empresário Walter Torre Júnior, fundador e CEO da WTorre, negou ter recebido os R$ 18 milhões

Ainda de acordo com Medeiros, entre 2006 e 2007, um grupo de 12 construtoras --entre elas a OAS-- definiu previamente quem "venceria" quatro grandes licitações de obras para a Petrobras, entre elas a construção do novo Cenpes, com a combinação prévia das propostas a serem apresentadas.

Reprodução/Justiça Federal do Paraná
O ex-diretor da OAS Agenor Medeiros depõe ao juiz Sergio Moro

Medeiros ainda descreveu a Moro um esquema de corrupção ligado a um aditivo para as obras do centro de pesquisas, este envolvendo propina de 3% sobre o valor do contrato para funcionários da Petrobras e lobistas. O pagamento teria sido feito por meio de contratos fictícios com empresas de fachada ligadas aos beneficiados.

Em diversos momentos de seus depoimentos, Pinheiros, Medeiros e Duque deixaram claro a Moro que querem colaborar com as autoridades. Os três estão presos e estariam buscando há meses um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. Eles já foram condenados por Moro em outros processos ligados à operação.

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