Deputado que tatuou nome de Temer recebeu R$ 7 milhões em emendas, diz ONG

Mirthyani Bezera

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) recebeu R$ 6,9 milhões em emendas parlamentares de janeiro deste ano até o dia 24 de julho, segundo levantamento feito pelo Contas Abertas, entidade fundada em 2005 que reúne pessoas físicas e jurídicas que interessadas no controle sobre os orçamentos públicos. O valor é quase 70% do total recebido pelo parlamentar durante todo o ano passado – R$ 10,1 milhões.

Costa apareceu com uma tatuagem no ombro direito com desenho de uma bandeira do Brasil e com o nome do presidente Michel Temer, para expressar seu apoio ao peemedebista, no último sábado (29), em Salinópolis (PA), durante a entrega de caminhões de coleta de lixo.

A tatuagem, segundo ele, foi finalizada na última sexta (28) e custou R$1.200 em seis vezes no cartão.

"Cada um com suas paixões. Não tem gente que tatua Che Guevara, Fidel Castro, o presidente da Coreia? Todos falsos socialistas usando (relógio da marca) Rolex?", afirmou na ocasião. "Sou admirador nato (de Temer), sou amigo dele há quase 16 anos. Nesse momento, que tentam derrubar ele a qualquer custo, é minha forma de mostrar que parceiro que é parceiro derrama até a última gota de sangue".

Tatuadores de Belém, base eleitoral do parlamentar, e de São Paulo disseram ao UOL que, ao contrário do que disse Costa, o desenho não parece ter sido feito em um estúdio. Segundo eles, as fotos divulgadas por Costa não revelam uma tatuagem permanente feita com agulhas, mas sim um desenho feito com hena, uma substância extraída de uma planta e usada normalmente por mulheres do Ocidente para tingir os cabelos e as sobrancelhas.

Segundo o Contas Abertas, dos quase R$ 7 milhões em emendas parlamentares liberadas para Costa, R$ 4,8 milhões foram destinadas a ação de apoio ao desenvolvimento sustentável de territórios rurais, visando, entre outras questões, a melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares.

O outro R$ 1,8 milhão foi destinado a estruturação de unidade de atenção especializada, para apoiar na organização e reestruturação da rede de serviços especializados no SUS.

Quem é Wladimir Costa

Antes de ser conhecido como o deputado que homenageou Michel Temer com seu nome tatuado no corpo, Wladimir Costa protagonizou outros momentos curiosos. Foi ele quem usou um disparador de confetes durante a votação do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), na Câmara dos Deputados, em abril de 2016.

O parlamentar foi um dos principais defensores de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara. Na última hora, pressionado pela opinião pública, Costa mudou de lado e votou contra o ex-presidente da Casa.

Mais recentemente, na Comissão de Comissão e Justiça (CCJ), o representante do Solidariedade fez uma defesa apaixonada de Temer – mas exagerou tanto no palavrório que disse que a oposição ao governo sofria de "Temerhomofobia". Nesse mesmo dia, atacou nominalmente vários parlamentares contrários ao presidente, a ponto de ser ameaçado pelo presidente da comissão de ter a palavra cassada.

Em julho do ano passado, Costa teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará sob a acusação de ter recebido e não declarado R$ 410,8 mil de fontes não declaradas para sua campanha. Sua defesa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, que decidirá se ele mantém ou perde o mandato como parlamentar.

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