263 deputados preferiram emendas do que o desejo da sociedade, diz Marina Silva

Daniela Garcia

Do UOL, em Brasília

  • Alan Marques -19.abr.2016/Folhapress

"Entre as emendas parlamentares e o desejo da sociedade brasileira, 263 [deputados federais] preferiram ficar com as emendas parlamentares", afirmou a ex-senadora Marina Silva (Rede) sobre a decisão da Câmara de barrar o prosseguimento de denúncia criminal contra o presidente Michel Temer (PMDB) para o STF (Supremo Tribunal Federal). Ao classificar o resultado de "deplorável", Marina disse ao UOL que a decisão dos deputados de apoiar Temer representa um "rompimento" com a vontade da opinião pública.

Ao todo, 492 dos 513 deputados da Câmara registraram presença na sessão de quarta-feira (2). Desses, 263 votaram com o relatório do deputado Abi-ackel (PSDB-MG), ou seja, a favor do arquivamento da denúncia; 227 votaram "não" (ou seja, pedindo abertura de investigação); e dois se abstiveram.

Pesquisa feita pelo Ibope por encomenda da ONG Avaaz, divulgada na última segunda-feira (31), apontou que 81% dos eleitores brasileiros concordavam com a abertura de um processo contra o presidente no STF.

"Eu acho que eles fizeram uma escolha entre a perspectiva de estar alinhado ao poder que lhes concede as benesses que reivindicam e o anseio da sociedade brasileira", disse a ex-senadora.

Para Marina, a decisão da Câmara é de ser cúmplice da impunidade. "Imposta a maioria [dos deputados] deu a conivência com a impunidade e a tentativa obviamente de desmoralizar o trabalho da Justiça."

Ela também criticou os argumentos dos parlamentares de que Temer deveria ser poupado de investigações no exercício do mandato para manter a estabilidade do país. 

"Nós não podemos almejar que a estabilidade política se dê em cima da impunidade. Não podemos almejar que a estabilidade econômica se transforme em sinônimo de apoio à corrupção."

Suposta chapa com Joaquim Barbosa

A ex-senadora pelo PT e PV, que em 2015 criou seu própria sigla, a Rede, diz que está avaliando se concorrerá à Presidência em 2018.

Marina negou que tenha conversado com o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa para compor junto com ela uma chapa. Ela analisa, no entanto, que, se Barbosa ingressar na política, "qualquer partido se sentirá engrandecido com a sua presença e o seu legado."

"Ele será uma grande contribuição para melhorar a qualidade do processo político no Brasil. (...) Essa decisão, com certeza, ele deve estar avaliando", disse.

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