Petrobras

Moro nega liberdade a ex-gerente da Petrobras "arrependido" de receber propina

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Geraldo Buniak/AG/Estadão Conteúdo

    Preso em março, o ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves já havia sido preso em novembro de 2015

    Preso em março, o ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves já havia sido preso em novembro de 2015

O juiz federal Sergio Moro negou o pedido de revogação da prisão preventiva do ex-gerente-executivo da Petrobras Roberto Gonçalves em despacho dado na manhã desta sexta-feira (4). O magistrado alegou que o julgamento de Gonçalves está próximo e que uma possível revogação de prisão será determinada na sentença proferida por ele após julgamento.

"A fase de julgamento aproxima-se, estando já fixados os prazos de apresentação das alegações finais pelas partes. Deixo, assim, para decidir a respeito do pedido na própria sentença, ocasião ideal, pois o quadro probatório será exaustivamente analisado", afirmou Moro.

A defesa de Gonçalves havia pedido a liberdade de Gonçalves sob o argumento de que finalizada a instrução, não existem mais fundamentos para a "segregação cautelar", ou seja, para mantê-lo afastado da sociedade. O ex-gerente da Petrobras está preso desde o dia 29 de março, durante operação da Lava Jato.

Ele sucedeu Pedro Barusco como gerente-executivo da área de Engenharia e Serviços da estatal no período entre março de 2011 e maio de 2012. Barusco é o delator que afirmou ter recebido US$ 100 milhões em propinas.

Ainda segundo o documento, o MPF (Ministério Público Federal) foi consultado e se posicionou contra a revogação da preventiva.

Em petição anexada no dia 28 de julho, o MPF afirmou que ratificava "todos os fundamentos e provas apresentados quando do pedido de decretação da prisão preventiva", afirmando que elas confirmam a "necessidade de manutenção da medida cautelar".

"Diante da vasta gama de gravíssimos delitos que foram praticados por Roberto Gonçalves em prejuízo da administração pública federal, com o pagamento de propinas superiores a R$ 10 milhões e ainda não totalmente localizados, e considerando o risco às ordens pública e econômica, assim como à instrução criminal, que a sua liberdade representa, faz-se imprescindível a manutenção de seu acautelamento preventivo, a fim de inviabilizar o prosseguimento de suas inúmeras práticas delitivas, garantindo, ainda, a manutenção da ordem pública e econômica", afirmaram os procuradores no texto.

O caso

Dois dos delatores da Lava Jato, Ricardo Pessoa, dirigente da UTC Engenharia, e Mário Goes, operador financeiro e intermediário de executivos e agentes públicos, apontaram o pagamento de propinas a Roberto Gonçalves.

Segundo o Ministério Público Federal, os delatores comprovaram documentalmente quatro depósitos de US$ 300 mil no exterior, a partir de conta em nome da offshore Mayana Trading, mantida por Mario Goes.

Apuração interna da Petrobras imputou ao ex-gerente executivo parte das irregularidades encontradas nas licitações e contratos do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), como a contratação direta em 2011 do Consórcio TUC, formado, entre outros, pela Odebrecht e pela UTC Engenharia.

Autoridades suíças que investigam desdobramentos do caso Lava Jato transferiram ao Brasil investigações por crimes de lavagem de dinheiro relacionadas a Roberto Gonçalves, com base em acordos de cooperação internacional.

Foram identificadas cinco contas bancárias, uma delas registrada em nome da offshore Fairbridge Finance AS, que tem Roberto Gonçalves como beneficiário final. A Fairbridge recebeu, somente em 2011, cerca de US$ 3 milhões de offshores ligadas ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Outra conta, registrada no nome da offshore Silverhill Group Investment Inc. e que também tem Gonçalves como beneficiário final, recebeu, em 2014, mais de US$ 1 milhão provenientes da conta em nome da offshore Drenos Corporation, vinculada ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque - preso e condenado na Lava Jato.

"Estou, sim, arrependido"

Durante interrogatório a Moro, Gonçalves afirmou estar arrependido de ter recebido propina. "Eu não tive vantagem nenhuma nesse processo todo", declarou Gonçalves.

"Assumi aquela gerência como sendo um fator de reconhecimento pelo meu trabalho e por um, dois, três erros meus, não para a companhia, mas erros meus, estou nessa situação. Estou totalmente arrependido. Não tirei vantagem, apesar de não ter prejudicado a minha companhia, eu não tirei vantagem nenhuma disso, estou, sim, arrependido", confessou.

"A vantagem de estar falando a verdade é que se me perguntarem 'n' vezes, 'n' vezes vou responder a mesma coisa. Estou, sim, arrependido de tudo isso que fiz. Me sinto com a consciência tranquila em relação ao trabalho que executei. Eu defendo o trabalho que eu fiz em qualquer plenário, em qualquer tribunal, em qualquer lugar do mundo, perante qualquer auditoria interna da companhia. Quanto ao trabalho que eu fiz, eu tenho a consciência limpa. Tenho orgulho do meu trabalho, da carreira que eu fiz nessa companhia sem qualquer ajuda externa, influência externa. Tenho também uma profunda decepção comigo mesmo por ter fraquejado nesse ponto sem qualquer contrapartida."

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