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Após soltar presos da Lava Jato, Gilmar Mendes vira alvo de protestos contra corrupção

Manifestantes se reúnem em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra a impunidade e pela renovação na política - Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Manifestantes se reúnem em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra a impunidade e pela renovação na política Imagem: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

27/08/2017 17h17Atualizada em 27/08/2017 23h06

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi alvo de críticas, neste domingo (27), no protesto organizado pelo movimento Vem Pra Rua na avenida Paulista (região central de São Paulo).

Com pouca adesão, o grupo de manifestantes se reuniu por cerca de duas horas em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) e seguiu em passeata no sentido do Paraíso, no meio da tarde. O protesto terminou por volta das 17h. Nem os organizadores nem a Polícia Militar divulgaram o número de participantes. 

"Ô Gilmar Mendes, presta atenção, soltar bandido é trair uma nação", chamou em coro um dos integrantes da organização, em cima do caminhão de som estacionado na avenida.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do ministro informou que ele não vai comentar as críticas feitas na manifestação.

Uma charge com o rosto de Mendes coberto de baratas foi impressa em cartazes com as palavras "lacaio, toga suja, quadrilheiro", entre outros insultos.

A professora aposentada Nilza Maria da Silva, 72, que tem participado com frequência dos atos verde-amarelo, segurava um desses cartazes.

"Dentre outros motivos, ele não está agindo como deveria", afirmou. "Como um juiz do STF, ele tem tomado algumas medidas inadequadas, como libertar os empresários do Rio de Janeiro (em referência a Jacob Barata Filho, do setor de transportes públicos), que até já voltaram para a cadeia. Ele está sempre soltando pessoas que a sociedade não acha correto soltar."

27.ago.2017 - A professora aposentada Nilza Maria da Silva, 73, carrega cartaz em crítica ao ministro do STF Gilmar Mendes durante ato do Vem pra Rua na avenida Paulista  - Gabriela Fujita/UOL - Gabriela Fujita/UOL
A professora Nilza Maria da Silva com cartaz em crítica ao ministro do STF
Imagem: Gabriela Fujita/UOL

Nesta semana, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, pediu a suspensão do ministro do STF nos casos envolvendo os empresários do setor de transportes Jacob Barata Filho e Lélis Marcos Teixeira.

Ao som de bandas como Legião Urbana e RPM, o ministro foi tema de mais um bordão entoado pelo microfone: "Fora, Gilmar. O seu tempo também acabou", seguido de aplausos.

O engenheiro aposentado Carlos Franco, 76, e a mulher dele, a artista plástica Genoveva Junqueira, 74, carregavam vários cartazes de cartolina. Um deles dizia: "Cala a boca Gilmar".

"Ele está sendo um mau exemplo", disse o engenheiro, que também discorda da soltura de Jacob Filho, no Rio. "Ele tem uma responsabilidade muito grande [como ministro do STF], mas está agindo mais como político do que como ministro", critica.

27.ago.2017 - O casal Carlos Franco, engenheiro aposentado, 76, e Genoveva Junqueira, artista plástica, 74, criticaram o ministro do STF Gilmar Mendes em ato do Vem pra Rua na avenida Paulista - Gabriela Fujita/UOL - Gabriela Fujita/UOL
Carlos e Genoveva fizeram cartazes contra políticos e o ministro Gilmar Mendes
Imagem: Gabriela Fujita/UOL

Para Rogério Chequer, o líder do Vem pra Rua, o ministro Mendes foi criticado pelos manifestantes por estar "no centro de uma polêmica". "Eu não entendo de aspectos jurídicos, mas como cidadão, não me conformo de ver solto alguém que, tudo indica, roubou dinheiro público", afirmou. 

Durante o protesto, Chequer pediu aos simpatizantes do movimento que divulguem a organização de uma frente nacional para identificar candidatos a uma renovação política. "Nem para a direita nem para a esquerda, vamos levar o país para a frente", disse. 

'Tour da corrupção' no Rio

A organização do Vem Pra Rua tinha a previsão de mobilizar atos em 22 cidades brasileiras até o final da tarde deste domingo. 

Houve adesão ao protesto em capitais como Belém, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Recife, Rio de Janeiro e Vitória.

27.ago.2017 - Manifestante pede "Mais Moros e Menos Gilmars", na zona sul do Rio de Janeiro - Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo - Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo
Manifestante pede "Mais Moros e Menos Gilmars", na zona sul do Rio de Janeiro
Imagem: Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo

No Rio de Janeiro, manifestantes fizeram uma passeata a que chamaram de "tour da corrupção" na zona sul da cidade. O ato fez paradas em frente aos prédios onde moram o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em Ipanema, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), no Leblon, e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), também no Leblon.

O ministro Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, presidente do Supremo, também foram alvo da manifestação. Durante a caminhada, manifestantes gritaram: "Fora, Gilmar". 

Já Cármen Lúcia foi cobrada no ato para que os pedidos de suspeição contra Gilmar sejam julgados pelo plenário da Corte. 

Ato discute com apoiadores de Dilma

No Rio de Janeiro, Manifestantes do Vem Pra Rua também discutiram com apoiadores da ex-presidente Dilma Rousseff, moradores de prédio em frente à praia de Copacabana, na zona sul.

Policiais fizeram um cerco para separar os dois grupos e não evitar confronto físico. Mesmo assim, houve discussão e organizadores chegaram a acelerar o protesto e pediram calma aos manifestantes. "Vamos para a casa do Aécio agora, que nós não temos bandidos de estimação", disseram no microfone.

Apesar disso, um grupo puxou o grito "A nossa bandeira jamais será vermelha" e os apoiadores de Dilma responderam que os manifestantes "não gostavam de pobre".

Lápide para Gilmar

O protesto teve adesão de 250 pessoas na Praça da Liberdade, região Centro-Sul de Belo Horizonte, segundo estimativa da Polícia Militar.

De cima de um caminhão, representantes de movimentos como o Vem pra Rua fizeram discursos contra a classe política. Os mais citados foram Lula, Dilma Rousseff e Aécio Neves. 

Faixas atacavam também Gilmar Mendes, que teve seu nome colocado em uma lápide.

27.ago.2017 - Manifestantes estendem uma bandeira do Brasil e cantam hino nacional em frente ao Congresso, em Brasília, durante protesto do Vem pra Rua - Eraldo Peres/AP - Eraldo Peres/AP
Manifestantes estendem bandeira do Brasil em frente ao Congresso Nacional
Imagem: Eraldo Peres/AP

Protesto no gramado do Congresso

A mobilização em Brasília reuniu cerca de 360 pessoas em um ato no gramado em frente ao Congresso Nacional, segundo a organização. A Polícia Militar, no entanto, calculou a presença de 200 pessoas.

Sob o gramado, as pessoas se juntaram para simbolizar cada uma das letras da frase "Lula na cadeia".

Além da crítica ao petista, eles fizeram no local um cemitério com cruzes, com os nomes de vários políticos, como Lula e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ato sem presença do MBL

O MBL (Movimento Brasil Livre), parceiro do Vem Pra Rua em atos anteriores, foi convidado para se juntar ao evento, mas segundo Rogério Chequer, empresário e líder do Vem Pra Rua, não quis participar. 

Renan Santos, um dos coordenadores do MBL, diz que fazer com frequência “atos de domingo” não é a estratégia do movimento agora. “Não concordo em fazer atos de domingo rotineiramente, porque acaba desmobilizando”, afirma Santos.

O MBL flerta com a jovem bancada do PSDB no Congresso, conhecida como "cabeças pretas". "Nós temos aproximação com os deputados jovens, "cabeça preta", do PSDB porque eles têm uma agenda parlamentar parecida com o que o MBL defende. Estamos conseguindo fazer um trabalho articulado com eles. Isso não pode ser interpretado com maldade. É uma relação boa de quem defende coisas bacanas", disse Santos ao UOL.

*Com Estadão Conteúdo

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