Após flertar com o DEM, senador do PSB se filia ao PMDB

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Luciana Amaral/UOL

    O senador Fernando Bezerra Coelho (PE) assina a sua filiação ao PMDB

    O senador Fernando Bezerra Coelho (PE) assina a sua filiação ao PMDB

O senador Fernando Bezerra Coelho (PE) deixou o PSB e se filiou ao PMDB na manhã desta quarta-feira (6). A concretização da mudança aconteceu após longo flerte com o DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), o que gerou um mal-estar entre as duas siglas.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho (PSB), e o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB), ambos filhos do senador, estavam presente à cerimônia e ainda devem se filiar ao PMDB.

O ministro só não se filiou nesta quarta-feira por conta das regras eleitorais. Como é deputado federal licenciado, ele tem de esperar a janela partidária em março do ano que vem para a troca. Uma cláusula da reforma política em discussão na Câmara pode antecipar a permissão para outubro deste ano.

A solenidade, que aconteceu na presidência do PMDB na Câmara, contou com integrantes do alto escalão do partido, como os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), os senadores Marta Suplicy (SP) e Edison Lobão (MA), além do presidente nacional da sigla, senador Romero Jucá (RR), e do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O ministro das Cidades, Bruno Araújo, filiado ao PSDB, também esteve presente.

Bezerra Coelho afirmou que retorna ao PMDB "com muita animação" e que a preferência pelo partido aconteceu após avaliações sobre suas condições políticas em Pernambuco, sua base eleitoral.

"Fizemos uma avaliação sobre a melhor opção dentro do quadro de Pernambuco, que é onde a gente faz política, e, conversando com outras forças políticas no Estado como DEM, PTB, PSDB, chegamos à conclusão que o melhor passo no momento seria o meu retorno do PMDB, partido que militei por mais de 11 anos", declarou.

DEM X PMDB

A disputa do PMDB com o DEM por dissidentes já gerou até troca de farpas. Os dois partidos correm atrás de políticos que, nos últimos meses, em meio à crise desencadeada pela delação premiada da JBS, se desentenderam com seus partidos e querem mudar de legenda. Há também uma movimentação de olho nas eleições de 2018, inclusive com nomes viáveis a se candidatarem ao Palácio do Planalto.

Os principais alvos de ambos os partidos são dissidentes do PSB. Ao todo, há um grupo de 9 a 12 parlamentares que querem sair da sigla PSB. Dois que já afirmaram que sairão do partido socialista são os deputados Heráclito Fortes (PI) e José Reinaldo (MA).

A declaração de Jucá na semana passada sobre a ida dos Bezerra Coelho ao PMDB gerou um mal-estar no DEM. O líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), disse que o gesto "atravessou a aliança que estava sendo formatada".

Efraim Filho falou que o DEM não se sente mais respeitado pelo governo diante da ação dos peemedebistas mesmo perante o diálogo amadurecido com os nomes prospectados. O líder do DEM disse que será difícil conduzir a bancada para ficar ao lado do PMDB. 

"Essa posição [do DEM na base aliada] será estudada e discutida pelo partido. Agora, a estratégia do PMDB em construir muros, e não pontes, com os aliados só nos faz afastar cada vez mais. O crescimento de um aliado era para ser motivo a ser comemorado pela base, e não a tentativa de frustrar a ação", disse.

Essa não foi a primeira vez em que PMDB e DEM se estranharam na busca por dissidentes. Em 18 de julho, Temer tomou café da manhã com a líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina, para tentar levar os deputados descontentes com o partido ao PMDB, do qual faz parte e foi presidente nacional por ao menos 15 anos. Na época, Temer teve de conversar com Mendonça Filho e Rodrigo Maia para tentar amenizar o constrangimento.
 

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