Dilma usará delação de Funaro em processo no STF que tenta anular impeachment

Do UOL, em São Paulo

A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta segunda-feira (16) que irá pedir que o conteúdo da delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro seja juntando aos autos do mandado de segurança que pede a anulação do processo de impeachment sofrido por ela no ano passado, ainda não julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em vídeo divulgado pelo jornal "Folha de S. Paulo", Funaro afirma ter repassado R$ 1 milhão para o ex-deputado Eduardo Cunha "comprar" votos a favor do impeachment de Dilma. Funaro disse que recebeu uma mensagem de Cunha, então presidente da Câmara, dias antes da votação no plenário, solicitando os valores.

"Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível para comprar algum voto ali favorável ao impeachment da Dilma. E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão e que eu liquidaria isso para ele em duas semanas no máximo", afirmou em depoimento.

José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e advogado de Dilma, afirmou em nota que, com a delação premiada de Funaro, "ficou demonstrado que o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do impeachment" e que entrará com o pedido junto ao STF nesta terça-feira (17).

"Entendemos que na defesa da Constituição e do Estado Democrático de direito, o Poder Judiciário não poderá deixar de se pronunciar a respeito, determinando a anulação do impeachment de Dilma Rousseff, por notório desvio de poder e pela ausência de qualquer prova de que tenha praticado crimes de responsabilidade", afirmou por meio de nota.

Cardozo disse ainda o impeachment aconteceu em razão de decisões ilegais e imorais tomadas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e por todos os parlamentares que queriam evitar "a sangria da classe política brasileira".

No depoimento de Funaro, dado à PGR (Procuradoria Geral da República) no dia 23 de agosto, e homologado pelo ministro do STF Edson Fachin, uma procuradora questiona se Cunha usou a expressão "comprar votos". E Funaro confirma: "Comprar votos".

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